Restando pouco mais de 20 dias do início de junho, o mês mais festejado do ano para o nordestino, que comemora com entusiasmo as festas de Santo Antônio, São Pedro e São João, mantendo assim uma tradição centenária por esses cantos do sertão.

Nas últimas décadas, essa tradição ganhou força, se renovou, ampliando os festejos que passaram a receber grandes atrações musicais, incentivo do poder público municipal, do governo do estado e também de órgãos federais ligados à cultura, turismo e lazer. Literalmente os arraiás se tornaram o ponto de encontro de multidões, atraindo a cada ano, mais forrozeiros, gente de longe, filhos da terra, enfim, os festejos juninos em nossa região. Os festejos que têm início no dia 1º com as homenagens a Santo Antônio em Paramirim, até o último dia de festa em homenagem a São Pedro em Rio do Pires e Oliveira dos Brejinhos, tornaram-se conhecidos a nível estadual.

Cada festa organizada com amor, dedicação e zelo pelas tradições, possuem suas peculiaridades. Cada município com o seu jeito singular, convida, recepciona e alegra visitantes de todos os cantos, fazendo-se realizar em praça pública, de forma igual e irrestrita, os folguedos juninos. Oportunidade maior de reencontro de um povo com suas raízes, motivo de convergência  e confraternização, quando os que residem em outras terras, se fazem presentes no torrão natal para as festanças, fogueiras, comidas típicas, fogos, muito xote, arrasta-pé e baião.

Diante de um ano difícil, no qual o brasileiro sofre as cruéis consequências  de uma crise econômica, financeira, política e moral, estando todos vivendo um período nebuloso, repleto de incertezas, com os efeitos  dos desmandos, corrupção desenfreada, má gestão atingindo com força os pequenos municípios e consequentemente a população menos favorecida, não se espera para o próximo mês de junho, grandes espetáculos nos arraiás da região.

A reportagem do Jornal O Eco, esteve em contato com diversos prefeitos, secretários municipais, organizadores de eventos públicos, que em resumo, comungam a mesma decepção com a situação caótica em que vivemos, a preocupação evidente em manter a tradição, o desejo de ofertar o lazer de qualidade à todos os seus munícipes, porém, a  crise que abala o país não permitirá grandes investimentos nos festejos, uma vez que, existem prioridades em se manter ao menos os serviços básicos. Alguns gestores já adiantaram que infelizmente, não realizarão tais eventos, por necessidade de contenção de gastos e por não possuírem receita para tal finalidade.

Além dos anúncios de cancelamento de diversas festas juninas em decorrência da crise, os municípios que tentam realizar mesmo de forma singela, não terão certeza de parcerias com o governo do estado e órgãos federais, o que exige cuidado extremo, para que não comprometam ainda mais os parcos recursos, contraindo dívidas que podem inclusive levar ao colapso financeiro. Lembrando que em abril, para piorar a situação das prefeituras, houve um bloqueio do FPM, que ficou retido pelo INSS, o que acarretou sérias dificuldades.

Essa tendência poderá ser mesmo seguida por diversos prefeitos da região, que, infelizmente, terão que desagradar os seus munícipes e cancelar os festejos, numa atitude de bom senso e responsabilidade. Os que se sentem em condições de realizar a festa, devem primar pela adequação dos investimentos, valorizando artistas da região e buscando parcerias com a iniciativa privada.

“Realmente, nós vamos enxugar os gastos, estamos priorizando o pagamento da folha de pessoal e os pequenos fornecedores, pois, até isso já está complicado”, disse um dos prefeitos da região. “Estamos vendo de que forma podemos fazer a comemoração, nada de bandas caras, artistas de fora, nada grandioso. Nossa preocupação é conseguir manter nosso São João, para não perder esse resgate”, afirmou.


 

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