A única certeza da vida é a morte, a qual nos aguarda a todos, indistintamente. Por mais que não a desejamos, em razão da nossa crença religiosa, temor, insegurança, forma de ver a vida, dentre outros fatores, ela virá. O medo da morte é instintivo, já que se traduz em mecanismo de defesa da vida. Estudos nos indicam, por exemplo, que aquele que intenta suicidar-se já não se encontra com as suas faculdades mentais normais, portanto perturbado.

Por mais absurdo que possa parecer, o Dia de Finados, além de nos servir para rememorarmos todos aqueles que nos precederam no além-túmulo, envolvendo parentes e amigos diletos, nos dá a percepção da nossa finitude, enquanto encarnados. Do berço ao túmulo, a nossa trajetória é árdua, pois aqui nos encontramos para aprender, através das inúmeras vivências que a vida nos enseja para o nosso crescimento espiritual. Desta forma, entramos e saímos da vida sem dela jamais nos apartarmos!

No dia destinado aos mortos devemos adotar postura de respeito para com eles, evocando os momentos ímpares que com eles vivemos, de alegria e plenitude, como forma de podermos alcançá-los através do pensamento, considerando o fato de estarem em outra dimensão. Assim, se o pensamento é bom, o alcance será positivo, se mau, será negativo. O impacto é imediato! Em razão do nosso estágio evolutivo, ainda não podemos dimensionar o poder do nosso pensamento, o qual representa elemento catalisador, o elo de ligação entre nós e aqueles que já nos deixaram e não mais se encontram com a indumentária carnal.

Ante o féretro que passa em nossa rua, ou aquele através do qual velamos um ente querido, que possamos avaliar o nosso caminhar e a nossa trajetória terrena, sopesando as nossas atitudes, pois dia virá em que chegará também o nosso chamamento para o imarcescível, onde transportaremos não as nossas coisas, mas o nosso cabedal psicológico, que nos auxiliará para vôos mais altos, transpondo barreiras as quais não tínhamos condições e méritos para transpô-las.

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* Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Tenente-Coronel, escritor, ensaísta e especialista em gestão da segurança pública e direitos humanos.

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