Igreja Católica reforça protagonismo na luta por justiça social e preservação ambiental durante tradicional romaria na capital baiana da fé

Entre os dias 4 e 6 de julho, a cidade de Bom Jesus da Lapa, foi novamente o ponto de encontro de milhares de romeiros e romeiras vindos de diversos estados brasileiros para participar da 48ª Romaria da Terra e das Águas. Com o tema “Cultivar e Guardar a Criação: Construindo caminhos do bem viver”, o evento foi muito mais que uma manifestação religiosa, transformou-se em um espaço potente de articulação social, escuta, fé, debate e esperança.

Realizada há quase cinco décadas, a Romaria da Terra e das Águas vem consolidando o papel da Igreja Católica como agente ativo nas discussões sociais e ambientais, reafirmando sua missão de estar ao lado do povo, principalmente dos que vivem no campo, nas comunidades tradicionais e nas periferias. Com um olhar atento às transformações do mundo, a igreja tem convocado cada vez mais sindicatos, associações, movimentos populares e fiéis a participarem da reflexão coletiva sobre os desafios e caminhos da justiça socioambiental.

A missa de acolhimento, realizada na esplanada do Santuário do Bom Jesus, abriu oficialmente a programação no dia 4, marcando o início da caminhada espiritual e política. Nos dias seguintes, os romeiros participaram de plenárias temáticas espalhadas por diversos pontos da cidade, abordando temas como a posse da terra, a escassez da água, os direitos dos povos do semiárido, os conflitos fundiários, a destruição dos biomas e o enfrentamento das desigualdades.

O ponto alto do evento aconteceu na manhã do domingo (6), com uma grande plenária na Gruta da Soledade, onde foram apresentados os encaminhamentos das discussões. O momento representou não apenas o encerramento da romaria, mas também o fortalecimento de uma agenda comum de lutas, construída de forma participativa, por pessoas comprometidas com a transformação da realidade em seus territórios.

A Romaria da Terra e das Águas, promovida pela Diocese de Bom Jesus da Lapa em parceria com diversas entidades sociais e pastorais, é uma expressão viva do Evangelho encarnado na realidade do povo. Ela demonstra que a fé não está dissociada das dores e das causas humanas, e que caminhar com Jesus também significa cultivar e guardar a criação, respeitando os ciclos da natureza, defendendo os direitos humanos e construindo caminhos de convivência justa com o semiárido e suas riquezas.

Neste cenário de desafios sociais, ambientais e climáticos cada vez mais urgentes, a Igreja Católica reafirma seu compromisso com a vida plena e com o protagonismo popular, mostrando que a espiritualidade pode e deve ser também ferramenta de mobilização, conscientização e transformação.