Enquanto a comunidade cresce de forma rápida e organizada, sendo um forte referencial de progresso para o município de Paramirim, recebendo toda atenção da administração, no que se refere a equipamentos urbanos e serviços. Por outro lado, há décadas, a preocupação da população, aumenta em muito com o que até poucos dias era o cartão postal Caraíbas, distante 20 km da sede de Paramirim.

Devido a uma série de fatores, entre os quais o assoreamento, degradação, poluição por dejetos, uso indiscriminado das águas e a seca inclemente que castiga a região, culminaram com isso, que pode ser considerada uma tragédia. A Lagoa de Caraíbas, como bem definiu uma das moradoras, “A querida e abençoada Lagoa que se encontra ao centro da comunidade, agoniza antes de secar completamente”.

Comovente o cenário de desolação. Nossa reportagem esteve verificando o local e visualizamos um quadro lamentável, onde antes existia um imenso espelho d’água,  servia não somente como mirante de beleza natural, como para matar a sede do gado, produção de peixes, enfim, hoje barro ressequido avança em direção a última poça d’água, que ainda resiste no centro do lago.

A lagoa de Caraíbas com capacidade para milhões de litros, está praticamente seca, para a tristeza dos moradores que observam urubus e algumas aves aquáticas disputando restos numa paisagem típica dos desertos. Lamentável episódio, o qual não gostaria de estar narrando. Situação que preocupa por demais e agora, obriga moradores de todas as idades, não somente da querida e acolhedora Caraíbas, como também de toda a região, a uma profunda reflexão e imediata ação! Afinal, apesar da gravidade da situação, ainda não é o fim.

Mesmo certos de que fomos nós os homens, os maiores predadores do planeta, os culpados por muitas degradações ambientais, também temos consciência de que nem tudo está perdido e que podemos reverter este quadro que assusta e progredirá se nada for feito.

Nossa reportagem esteve em contato com moradores da comunidade, ouvindo relatos sobre as causas e possíveis soluções para a recuperação da Lagoa. Todos são unanimes em confirmarem que se parte da causa foi a seca de anos, existe também a culpa do homem, da intervenção, exploração e principalmente a degradação praticada.

Será sem dúvidas, necessária uma mobilização que envolverá além do poder público municipal, proprietários dos terrenos que margeiam o lago, bem como dos diversos setores da sociedade, para que seja realizado um trabalho de mutirão, com cada um contribuindo de uma forma, no intuito de que, nas próximas chuvas, que dentro em breve chegarão com a ajuda de Deus, o trabalho de limpeza, desassoreamento, interdição de esgotos domésticos através de fossas sépticas, se for o caso, replantio das árvores nativas, plantas ciliares antes existentes e principalmente um trabalho de conscientização da comunidade, sobre a importância da preservação, possam devolver vida a lagoa que é símbolo de fertilidade e esperança para o povo de Caraíbas.

Esperamos que tais atitudes sejam efetivamente executadas e que estas ações sirvam de exemplo para muitas outras localidades do município e de toda a região, que perderam ou estão em vias de verem secar suas principais fontes de água, por não se preocuparem o suficiente, a fim de evitarem tamanha tragédia. A inércia pode significar o fim desta e de muitas reservas.

Esperamos confiantes que a comunidade se levante nesse engajamento em prol da recuperação de uma riqueza natural, que hoje se encontra adormecida e que poderá ser despertada, voltando a orgulhar e encher os olhos e os corações de emoção e alegria pela mudança de atitude com a natureza, o que certamente proporcionará através da divulgação do trabalho realizado, um efeito positivo em outras comunidades, cidades e pessoas. Para que, apesar das dificuldades no enfrentamento e convivência com a seca, o aquecimento solar, a diminuição dos recursos hídricos. Ainda é possível que a degradação diminua, aumentando a consciência ecológica, provocando ações de proteção e cuidados. Assim, temos convicção de que em breve, estaremos, comemorando em Caraíbas e em muitas outras comunidades, a volta da água, dos peixes, das flores, dos frutos e da vida!