Alguns meses após o anuncio da construção de uma adutora que levaria água da Barragem do Zabumbão para outros municípios, além dos que o reservatório já abastece. Após terem acontecido reuniões, audiências públicas, manifestações contrárias e atos do governo do estado que revogou inclusive uma licitação em andamento, para que se decida posteriormente como esse processo será definido. Um silêncio incomoda, principalmente os que querem o melhor para a cidade e a região. Jovens intelectuais, moradores politizados e conscientes, parte da imprensa e demais pessoas de bem, andam apreensivas com o que poderá ocorrer, como serão resolvidas as graves questões hídricas no Vale do Paramirim e adjacências. 
 
Nossa reportagem, que muito antes de se cogitar quaisquer possibilidades de aumento na distribuição e oferta de água, já alertava, denunciando a situação crítica em que se encontra todo o sistema da bacia do Zabumbão, que recebe esgoto doméstico in natura do município de Érico Cardoso, o desmatamento ilegal das margens, invasões e loteamento das terras dentro da área de proteção, garimpos clandestinos nas comunidades de Morro do Fogo, exploração ilegal, criação de gado, descarga de lixo, enfim, todo o descaso e falta de preocupação das autoridades e moradores, que apenas imaginam disputar o direito de uso da água de uma barragem que, infelizmente, continua doente e piorando.
 
 
Quando falávamos da GUERRA BURRA pela água, sendo inclusive afrontados por aproveitadores que surfaram na onda dos protestos, nos referíamos à falta de conhecimento da maioria, que ao protestarem, deveriam apresentar as reais condições do lago, cobrar providências urgentes, medidas firmes na defesa e segurança das nascentes, que hoje perecem com a falta de cuidados. A principal bandeira que sempre defendemos é a da preservação.
 
Mais uma vez, o tempo se encarregou de demonstrar que estávamos com a verdade, pois, aqueles que se aproveitando da preocupação da maioria da população, espalharam o pânico, alardeando que em pouco tempo, todos estariam sem uma gota d água, promovendo uma verdadeira baderna, onde o objetivo era o diálogo,  acreditando piamente que através disso, pudessem  rotular pessoas, atribuir culpas e sequer apresentaram propostas, muito menos preocupação, alternativas viáveis para a preservação da bacia. Ao invés disso, abordaram temas políticos locais, sentiram-se os bambambãs. Hoje, não se vê um único daqueles personagens afoitos, os ditos salvadores da pátria, em reuniões com as comunidades, discutindo a sustentabilidade, enfim, essa parcela de oportunistas, provaram que apenas queriam os holofotes.
 
Existem ainda aquelas figuras já conhecidas, felizes proprietários, "Irrigantes", que, se vendo ameaçados, lá estavam prontos, a pé, de jegue, a cavalo, na linha de frente. Em defesa da Barragem?  Que nada! Estavam em defesa dos seus interesses, zelando pela continuidade dos seus regos arcaicos, que inundam pastos de capim e desperdiçam milhões de litros. Não se lembram, nem se preocupam com recursos hídricos. Apesar de terem plena consciência de que são cada vez mais limitados e podem se esgotar.
 
 
Vale ressaltar, que nesse episódio, apenas o atual prefeito de Paramirim, Dr. Júlio Bernardo, se manifestou através de entrevista à imprensa, demonstrando preocupação com a situação caótica da barragem e do Rio Paramirim. Júlio firmou compromisso, mesmo não sendo obrigação do município, em empreender esforços na revitalização das margens, com o reflorestamento das matas ciliares, além de lutar junto aos órgãos competentes, para que seja realizada a limpeza e desassoreamento do leito do rio em todo o percurso que atravessa o município.
 
 
O Jornal O Eco, continuará defendendo, cobrando e de público, deixando indagações: Será que mesmo após tudo o que vimos, todos os problemas expostos, o governo do estado, proprietários, órgãos administradores como a CODEVASF, fiscalizadores, como a ANA, IBAMA e principalmente o Ministério Público do Meio Ambiente, que aqui se fez presente, permanecerão inertes?  Será que absolutamente nada será feito? Nenhuma medida quanto aos garimpos clandestinos em atividade na região do Morro do Fogo?  O loteamento das terras da Barragem, invasões, criações de gado, descarga de esgotos in natura e lixo doméstico diretamente no leito do rio? Ou será que aguardam novos conflitos para aparecerem. Talvez o retorno da Guerra Burra pelo domínio da água, seja o caminho escolhido por "Líderes", autoridades e "Irrigantes interessados".