Uma decisão que já era aguardada pela maioria da população regional, uma vez que, não observando inicialmente os requisitos básicos necessários para a garantia de abastecimento de água, tendo o governo do estado, iniciado o processo de forma equivocada, buscando de imediato a construção de uma adutora, ao invés de iniciar tal projeto pela construção de novas barragens como a do Rio da Caixa e do Rio Santo Onofre, não se preocupando com a revitalização das nascentes, estudos de impactos ambientais, o governador acabou por enterrar um amplo projeto, que se realizado da forma correta, certamente seria  a redenção do Vale do Paramirim e municípios adjacentes.

Na condição de jornalistas, conhecedores das cruéis dificuldades enfrentadas por cada comunidade dos municípios envolvidos, ambientalistas convictos, participantes que somos da história recente desse conflito, não poderíamos deixar de sermos solidários com as milhares de famílias, que além de sentirem-se desprotegidas, se mostraram indignadas com certa comemoração e foguetório, que brindou o fim do projeto de abastecimento de água.

Se por um lado, comungamos com o pensamento da população paramirinhense, que, consciente do risco de um evidente desabastecimento, foi às ruas expor uma preocupação legítima. Por outro ângulo de visão, nos sentimos entristecidos e solidários à população dos demais municípios, que terão que seguir penando com as agruras da seca, com a falta de atenção e intervenção do governo. Definitivamente, não existe nada a ser comemorado neste triste episódio.

A reunião da Câmara técnica institucional e Legal-CTIL/CBHSF, realizada em Salvador o dia 14 de junho de 2016, aprovou por unanimidade o relatório do conflito instaurado pelo Comitê de Bacias Hidrográficas dos rios Paramirim e Santo Onofre, conflito de uso nº 002/2015, que apelava pela segurança hídrica do Vale do Paramirim.

Ressaltamos aqui, que a tão proclamada “segurança hídrica”, continua ameaçada pelo assoreamento, desmatamento e contaminação das nascentes, pelos garimpos clandestinos, que literalmente estão destruindo o Morro do Fogo e ninguém se levanta, nenhuma ação é movida à respeito. Nossa barragem do Zabumbão continua desprotegida, totalmente abandonada, suas margens seguem servindo de pasto para criação de gado, toda área de preservação foi loteada com cercas como se privadas fossem. Enfim, apenas os demagogos, insensatos poderiam ignorar o fato de que nosso Rio Paramirim está morrendo, que os famigerados regos, o arcaico método de irrigação por inundação continua sendo praticado pelos latifundiários reunidos numa tal “Associação dos Irrigantes”.

Mesmo com o possível arquivamento definitivo do projeto de uma adutora, coisa que sempre se mostrou inviável, faz-se necessário que essa discussão não se encerre, afinal, não podemos aceitar que a pimenta nos olhos dos outros seja refresco para nós que estamos situados comodamente aos pés da Barragem. Existe um problema crônico de abastecimento que afeta nossos vizinhos, seres humanos e animais que assim como nós, merecem e tem direito à água, direito à vida.

Se a comissão processante não viu resguardadas viabilidade e sustentabilidade em todas as dimensões exigíveis e necessárias, capazes de balizarem o entendimento técnico, legal e regulamentar, como a garantia da pretendida segurança hídrica para os usos atuais e futuros. A mesma Câmara Técnica, a própria ANA – Agência Nacional de Águas, o Ministério Público, prefeitos, governador, organizações e sociedade regional têm o dever moral de unidos, buscarem soluções e alternativas para tamanho mal.