Governador terá que apressar o passo para destravar muitas obras pendentes e finalizações  estruturais às vésperas de 2026

À medida que 2025 se aproxima do fim, cresce a inquietação entre prefeitos e lideranças políticas do interior da Bahia. Em praticamente todos os municípios do sertão, obras estruturantes prometidas pelo governo do Estado seguem pendentes, um cenário que acende sinais de alerta diante da proximidade da pré-campanha eleitoral de 2026. O motivo é justo e mais que conhecido. Tratam-se daquelas obras almejadas e debatidas em campanha, que após eleitos, os prefeitos negociaram as parcerias com o governo.

O Jornal O Eco, que acompanha de perto o cotidiano das gestões municipais, observa que a preocupação central não está apenas nas promessas renovadas a cada visita oficial, mas no risco político que os prefeitos assumem ao endossar compromissos cuja responsabilidade pela execução dessas obras e benefícios, que seria do governo do estado, permanece incerta. Após o pleito de 2026, serão justamente esses gestores que continuarão em seus municípios, pressionados a explicar atrasos ou a não realização de obras esperadas há anos.

Nos bastidores, o clima é de tensão. Prefeitos e ex-prefeitos envolvidos nas articulações têm cobrado celeridade, ao mesmo tempo em que já enfrentam críticas e questionamentos de suas bases, que desejam ver as coisas em andamento. O Eco também tem sido alvo de reações por expor a complexidade dessa relação entre municípios e governo estadual, um trabalho que o jornal defende ser pautado pela imparcialidade e pelo compromisso com a informação e pela defesa dos municípios e seus gestores, que, de boa-fé, acreditam no governador.

Segundo relatos colhidos pela reportagem, muitos gestores ainda confiam que, antes das eleições, conseguirão viabilizar pelo menos uma obra de grande porte nas áreas de infraestrutura, saúde, educação ou abastecimento de água. No entanto, o tempo vem se tornando um aliado cada vez menor. Apesar dos esforços da equipe do governador Jerônimo Rodrigues, o número de municípios com demandas represadas é elevado. Dos 417 municípios baianos, ao menos metade aguarda intervenções como pavimentação, pontes, praças, unidades de saúde, barragens, sistemas de água e escolas, obras que as prefeituras, por não terem condições técnicas ou financeiras de executar sozinhas, pactuaram com o governo.

Enquanto novas autorizações e anúncios são apresentados no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e em viagens ao interior, a dúvida permanece, será possível atender a tantas demandas em tão pouco tempo?  Especialistas consultados avaliam que, mesmo com planejamento e investimentos concentrados, parte dessas obras só poderia ser executada ao longo do próximo ciclo administrativo, isso se não forem incluídas novas promessas, como já vem ocorrendo em agendas recentes.

Outro ponto de debate é a aposta crescente na transferência de projetos para consórcios intermunicipais. Embora defendida por alguns setores como solução para acelerar obras, a estratégia enfrenta questionamentos. Há relatos de consórcios com estrutura insuficiente, maquinário sucateado e dificuldades operacionais que podem limitar a efetividade dessa alternativa.

O cenário reforça a necessidade de um diálogo mais direto e transparente entre governo e prefeitos. Às vésperas de 2026, o risco político recai principalmente sobre os gestores municipais, que têm colocado seu capital político na defesa de compromissos ainda pendentes e que continuarão sendo cobrados pela população independentemente do resultado das urnas.

Para além das disputas partidárias, permanece a preocupação maior, a garantia de estabilidade, desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida para as comunidades do sertão. Cumprir as obras prometidas não é apenas um desafio administrativo, é um fator decisivo para a confiança entre governo e municípios em um ano que se anuncia politicamente sensível.

A expectativa agora é por respostas concretas. E o tempo, mais do que nunca, torna-se protagonista dessa história.