Uma tradição secular, as penitências, romarias feitas por fiéis, católicos e visitantes, que na madrugada da quinta para a sexta-feira santa, seguem as trilhas da fé, em morros que são pontos turísticos, que há muito foram preparados para que sejam realizadas as vias sacras. Em cada cruz na subida, acontecem preces, cânticos e leituras bíblicas que fazem relembrar o sofrimento de Cristo no seu martírio.

A sexta-feira santa é celebrada no 40º dia após o carnaval, disso muita gente sabe principalmente os católicos, a via crúcis no sertão, uma manifestação cultural de diversas cidades onde habitantes, nas vésperas do dia santo, repetem todos os anos a ação dos passos de Jesus, esquecem-se das dificuldades do dia-a-dia e agradecem por aquela noite de Quaresma para reviver o calvário do Cristo rumo à crucificação, pagar suas penitências e rezar pelas almas de familiares mortos, pedindo a melhoria das condições dos ainda vivos.

Cada qual com seu jeito particular contribuem para perpetuar a saga dos grupos de penitentes de Paramirim, Érico Cardoso e muitos outros municípios, mantém viva esta tradição. No município de Paramirim, as Serras mais visitadas são Canabravinha e Santana, onde está localizada a pedra do sobrado, atração turística, que contribui nesta época do ano, para o maior fluxo de visitantes.

Apesar da origem comum na Europa medieval e na colonização através dos frades franciscanos que desembarcaram no Nordeste nos finais do século XVIII, as entidades diferem nas liturgias moldes de pregação. As peregrinações congregam homens e mulheres de todas as idades. Em seus rituais, praticados na Sexta-Feira Santa.

Uma atitude que merece aplausos, apesar das reclamações de alguns, foi a proibição de venda de bebidas alcoólicas nas imediações de alguns montes tidos como locais sagrados, o que focou a manifestação no sentido religioso e turístico.

O jovem bacharelando em direito Lucas Iago, fez questão de sair de Salvador nesse feriado, para juntamente com o amigo Edson Neves e o seu Avô Antônio Ledo (artesão) em Paramirim, estarem presentes, prestigiando esta tradição e aproveitando ao máximo este momento de contato direto com a natureza, numa subida que apesar de íngreme, proporciona prazer e uma deslumbrante vista na chegada ao topo do cruzeiro, ao lado da Pedra do Sobrado onde se encerram as celebrações.