AtlasIntel mostra oposição ligeiramente à frente no Estado e revela também redução expressiva da força eleitoral de Lula na Bahia em comparação com 2022
A nova pesquisa AtlasIntel/A TARDE confirma uma disputa extremamente apertada pelo Governo da Bahia. ACM Neto aparece com 48,8 por cento das intenções de voto, contra 47,5 por cento de Jerônimo Rodrigues. A diferença de 1,3 ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico, embora mantenha o candidato da oposição numericamente à frente.
Nos votos válidos, ACM Neto alcança 50 por cento e Jerônimo 48,7 por cento. Ronaldo Mansur aparece com 1,1 por cento e Aroldo Félix com 0,1 por cento. Em eventual segundo turno, o equilíbrio aumenta, com 50,3 por cento dos votos válidos para Neto e 49,7 por cento para Jerônimo.
Para dimensionar a diferença atual, O Eco tomou como referência os 8.206.962 votos válidos registrados para governador no segundo turno de 2022. Aplicados sobre esse universo, os atuais 1,3 ponto percentual representariam aproximadamente 107 mil votos de vantagem para ACM Neto. Trata se apenas de uma projeção matemática, já que comparecimento e quantidade de votos válidos serão diferentes em 2026. Na eleição passada, Jerônimo venceu Neto por 473.441 votos.
A pesquisa ouviu 1.804 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 por cento. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA 08891/2026.
Outro dado chama atenção e pode ter importância na disputa estadual. Lula continua amplamente favorito na Bahia, mas já não apresenta a mesma vantagem registrada nas urnas em 2022. Segundo a AtlasIntel/A TARDE, o presidente alcança agora 55,7 por cento dos votos válidos no Estado, contra 25,7 por cento de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece com 7,9 por cento, Ronaldo Caiado com 5,7 por cento e Renan Santos com 4,2 por cento.
A comparação com a eleição passada é significativa. Em 2022, Lula conquistou 72,12 por cento dos votos válidos dos baianos no segundo turno presidencial. Agora aparece com 55,7 por cento, redução de 16,42 pontos percentuais em relação ao resultado das urnas. Apesar de continuar muito forte e abrir 30 pontos sobre Flávio Bolsonaro, os números indicam que sua vantagem na Bahia, neste momento da campanha, é menor que aquela obtida há quatro anos.
Essa redução merece atenção principalmente porque Lula continua sendo o maior ativo eleitoral de Jerônimo. Ao mesmo tempo, ganha espaço o chamado voto cruzado, com eleitores que declaram apoio a Lula para presidente e a ACM Neto para governador, movimento que já entrou no radar das campanhas.
A AtlasIntel também registra 44 por cento de avaliação boa ou ótima do governo Jerônimo, contra 42 por cento de ruim ou péssima. O percentual não representa tecnicamente rejeição eleitoral, mas mostra uma avaliação negativa expressiva em meio à tentativa de reeleição.
Especialista em pesquisas de opinião, o Grupo O Eco acompanha cada novo levantamento buscando interpretar tendências sem paixões ou interesse em favorecer qualquer candidatura. A leitura dos números exige cautela, especialmente porque pesquisas representam fotografias do momento e não antecipam o resultado das urnas.
A fotografia atual, porém, é objetiva. ACM Neto conserva pequena vantagem numérica sobre Jerônimo, embora dentro da margem de erro, enquanto Lula continua liderando com folga a disputa presidencial na Bahia, mas com percentual significativamente inferior ao resultado alcançado no Estado em 2022.
São dois movimentos que merecem acompanhamento. A eleição estadual permanece completamente aberta e a força de Lula não sendo mais a mesma, pode enfraquecer a estratégia do grupo de Jerônimo, que seria forçar o voto casado. A questão que as próximas pesquisas ajudarão a responder é até que ponto o presidente conseguirá recuperar na Bahia parte da vantagem eleitoral que possuía há quatro anos e, principalmente, quanto dessa força conseguirá transferir para o governador.
O Eco seguirá acompanhando os números. Por enquanto, a Bahia continua majoritariamente lulista na corrida presidencial, mas aparece praticamente dividida ao meio quando a escolha é pelo próximo governador.
