Lula mantém vantagem no primeiro turno, mas crescimento de Flávio Bolsonaro transforma o segundo turno em uma disputa praticamente voto a voto, faltando apenas 12 dias para a eleição

A mais recente pesquisa AtlasIntel confirma que a eleição presidencial entrou em sua fase mais apertada. Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 45,8 por cento das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 43,4 por cento. A diferença é de apenas 2,4 pontos percentuais. Renan Santos registra 4,5 por cento, Augusto Cury 2,1 por cento, Ronaldo Caiado 1,3 por cento e Romeu Zema 0,9 por cento. Brancos e nulos representam 0,7 por cento e 0,5 por cento não souberam responder.

O dado mais importante, entretanto, aparece quando a pesquisa é observada como uma sequência e não apenas como uma fotografia isolada. Em 29 de julho, Lula tinha 44,9 por cento no primeiro turno e Flávio Bolsonaro 35,8 por cento. No levantamento divulgado em 31 de agosto, Lula marcou 43,4 por cento e Flávio 33,7 por cento. Em 10 de setembro, o presidente apareceu com 43 por cento e o senador avançou para 37,4 por cento. Uma semana depois, Lula chegou a 44,1 por cento e Flávio a 41,7 por cento. Agora, os dois cresceram exatamente 1,7 ponto, chegando respectivamente aos 45,8 e 43,4 por cento.

A comparação revela uma transformação importante. Entre o fim de agosto e a pesquisa divulgada nesta quarta feira, Lula avançou 2,4 pontos, de 43,4 para 45,8 por cento. Flávio Bolsonaro, no mesmo intervalo, saltou 9,7 pontos, de 33,7 para 43,4 por cento. Parte desse movimento ocorreu simultaneamente à redução das intenções destinadas a candidatos que apareciam mais fortes nas rodadas anteriores. Augusto Cury, por exemplo, tinha 7,8 por cento no fim de agosto e agora registra 2,1 por cento. Renan Santos passou de 7,6 para 4,5 por cento.

É no segundo turno, porém, que a fotografia se torna ainda mais apertada. Lula aparece agora com 47,7 por cento e Flávio Bolsonaro com 47,4 por cento. Apenas três décimos separam os dois, diferença muito inferior à margem de erro da pesquisa. Portanto, o resultado caracteriza empate técnico e não permite apontar vantagem estatisticamente conclusiva para qualquer um dos candidatos.

A trajetória ajuda a dimensionar a mudança. Em julho, Lula tinha 49,2 por cento contra 42,9 por cento de Flávio, uma distância de 6,3 pontos. No fim de agosto, eram 47,1 contra 42,6 por cento, diferença de 4,5 pontos. Em 10 de setembro ocorreu uma inversão numérica, com Flávio registrando 46,4 por cento e Lula 46,2 por cento. Na rodada de 17 de setembro, Flávio apareceu novamente numericamente à frente, com 47,2 contra 46,8 por cento. Agora Lula retorna à frente numericamente, com 47,7 contra 47,4 por cento. Todas essas diferenças das três pesquisas de setembro estão dentro da margem de erro.

Os registros dessas rodadas também permitem acompanhar a série com transparência. A pesquisa de julho foi registrada sob o número BR-08602/2026. A rodada do fim de agosto recebeu o registro BR-07972/2026. O levantamento divulgado em 10 de setembro foi registrado como BR-01452/2026. A pesquisa de 17 de setembro tem o número BR-06221/2026 e a mais recente, divulgada em 23 de setembro, está registrada sob o número BR-04739/2026.

Outro indicador ajuda a explicar o tamanho da polarização. Lula registra rejeição de 51,6 por cento e Flávio Bolsonaro 50,6 por cento, novamente uma diferença dentro da margem de erro. Quando os entrevistados são questionados sobre o que mais preocupa, 47,3 por cento apontam a reeleição de Lula, enquanto 46 por cento indicam uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 6,5 por cento dizem temer igualmente as duas possibilidades.

A leitura da série da AtlasIntel mostra, portanto, uma disputa que se comprimiu rapidamente. Lula preserva a primeira posição numérica no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro reduziu substancialmente a distância observada meses atrás. No confronto direto, a vantagem mudou de lado numericamente nas últimas rodadas, sempre dentro da margem de erro, até chegar aos atuais 47,7 contra 47,4 por cento.

A menos de duas semanas da votação, os números descrevem um eleitorado fortemente dividido e uma corrida em que pequenas oscilações podem alterar a liderança numérica de uma pesquisa para outra. Pesquisa eleitoral, contudo, representa o retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas e não uma previsão do resultado das urnas. O que a sequência da AtlasIntel permite afirmar é que a distância entre os dois principais candidatos diminuiu e que, no cenário de segundo turno, nenhum deles apresenta atualmente vantagem estatisticamente conclusiva.