Chapada Diamantina e Bacia do Paramirim atravessam um dos períodos mais perigosos do ano e qualquer foco de fogo pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções
O período mais seco do ano volta a acender um sério alerta no interior da Bahia. Com vegetação ressecada, baixa umidade e condições favoráveis à rápida propagação das chamas, uma pequena queimada pode fugir do controle em poucos minutos, ameaçando propriedades rurais, animais, áreas de preservação, plantações e até comunidades inteiras. Na Chapada Diamantina, municípios já adotaram medidas mais rigorosas diante do perigo. Mucugê e Palmeiras suspenderam queimadas em seus territórios, seguindo a decisão do Inema de suspender a emissão da Declaração de Queima Controlada em toda a Bahia até 31 de dezembro de 2026. Mucugê declarou ainda período crítico de risco de incêndio entre setembro deste ano e fevereiro de 2027.
O sinal de perigo não é apenas preventivo. Incêndios registrados neste mês na região de Lençóis mobilizaram Corpo de Bombeiros, ICMBio e diversas brigadas voluntárias, com equipes trabalhando durante dias para impedir o avanço das chamas sobre áreas de grande importância ambiental. A estiagem, a vegetação seca e as altas temperaturas aumentam consideravelmente a possibilidade de propagação do fogo.
Na Bacia do Paramirim, onde recentemente também ocorreram queimadas em Boquira e região, a preocupação deve ser a mesma. O problema já apareceu de forma preocupante em Paramirim, onde foram registrados diversos focos de queimadas, prejudicando a qualidade do ar e exigindo atuação da Guarda Civil Municipal e de equipes com caminhões pipa. A região está inserida predominantemente no semiárido, possui extensas áreas de Caatinga e zonas de transição com Cerrado, além de serras e vegetação nativa que podem sofrer danos severos quando atingidas pelo fogo.
É justamente nesta época que atitudes aparentemente simples se transformam em grandes tragédias. Queimar lixo, limpar terrenos utilizando fogo, atear fogo em pastagens ou realizar qualquer queima sem autorização e controle pode colocar vidas e patrimônios em risco. O Inema mantém acompanhamento diário dos focos de calor por meio de dados de satélite do INPE, enquanto o Governo da Bahia reforçou ações de prevenção, fiscalização e identificação das causas dos incêndios florestais.
O alerta precisa chegar principalmente às comunidades rurais. Chapada Diamantina e Bacia do Paramirim possuem grandes extensões territoriais, áreas de difícil acesso e localidades distantes das estruturas de combate. Quando o fogo ganha força nesses locais, cada minuto perdido faz diferença. Prevenir, portanto, continua sendo a maneira mais eficiente de evitar prejuízos, proteger a natureza e, sobretudo, preservar vidas.
Nesta época do ano, brincar com fogo não é descuido pequeno. É colocar uma região inteira em risco.
