No quarto mandato, prefeito mantém influência construída desde 2008 e resultado de 2026 reforça o peso político de uma gestão marcada por obras, articulação e presença na sede e na zona rural
A história política recente de Ibipitanga passa, inevitavelmente, pelo nome de Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, Beto. Eleito prefeito pela primeira vez em 2008, reeleito em 2012 e novamente vencedor em 2020 e 2024, o gestor exerce atualmente seu quarto mandato, algo pouco comum na política municipal e que demonstra a longevidade de um projeto que atravessou diferentes momentos da vida administrativa e eleitoral do município. Os registros eleitorais mostram que Beto venceu em 2008 com 5.243 votos, alcançou 6.844 em 2012, retornou ao comando municipal em 2020 com 5.588 e, em 2024, conquistou 6.676 votos.
Mais do que a sequência de vitórias, porém, a trajetória de Beto se confunde com um período de profundas mudanças em Ibipitanga. Ao longo dos mandatos, o prefeito construiu sua imagem política tendo como pilares a realização de obras, a busca por parcerias, o acompanhamento permanente das demandas populares e uma forma de administrar que procura incorporar planejamento e ferramentas de avaliação. Em entrevista concedida ao Jornal O Eco após a eleição de 2024, Beto destacou justamente a utilização contínua de pesquisas de opinião, não só durante as campanhas, mas também como instrumento para acompanhar a percepção da população e orientar decisões administrativas.
Esse perfil ajuda a explicar a capacidade de renovação de um grupo que permanece competitivo depois de tantos anos. Atento às mudanças e às novas exigências da população, Beto buscou ao longo da carreira ajustar prioridades, ouvir comunidades e estabelecer parcerias para viabilizar investimentos. Um exemplo recente foi a ordem de serviço para a pavimentação da ligação entre Alvinópolis, maior comunidade rural do município, e a sede, iniciativa acompanhada de ações de incentivo ao empreendedorismo rural.
É justamente nessa extensa zona rural, ao lado das intervenções realizadas na sede, que a administração procura manter uma de suas principais marcas. Estradas, infraestrutura, serviços e obras espalhadas pelas comunidades integram uma estratégia de levar a presença do poder público para além do centro urbano. A permanência desse projeto também depende de um grupo político organizado, formado por vereadores, lideranças comunitárias e aliados que acompanham Beto ao longo de sua caminhada.
No atual mandato, uma figura ganhou ainda maior importância nessa estrutura. O vice-prefeito Maurício Silva Mendes, Baíta, eleito na chapa de Beto em 2024, assumiu responsabilidades administrativas durante o período em que o titular esteve afastado. Professor e integrante do PSD, Baíta passou a dividir mais diretamente o cotidiano da gestão e a representar a continuidade administrativa naquele momento de instabilidade.
O início deste quarto mandato, aliás, colocou à prova a capacidade de resistência política do grupo. Beto chegou a ser afastado do cargo em meio a investigações e forte repercussão política. Posteriormente, decisão do Supremo Tribunal Federal permitiu seu retorno à Prefeitura. Segundo reportagem publicada pelo Jornal O Eco à época, o ministro responsável pelo caso entendeu não haver razões para a manutenção do afastamento. É importante registrar, contudo, que a recondução ao cargo não equivale, por si só, a uma decisão definitiva sobre eventuais investigações ou processos relacionados aos fatos apurados.
Superado o afastamento naquele momento, Beto retomou o comando administrativo ao lado de Baíta, e o grupo chegou às eleições gerais de 2026 buscando transformar sua força municipal em votos para os candidatos apoiados. O resultado do último domingo, 4 de outubro, oferece um novo retrato dessa capacidade de mobilização.
Conforme os números apresentados pelo grupo e dados de apuração disponíveis, Bete de Zé de Agdônio recebeu 3.180 votos para deputada estadual e terminou como a candidata mais votada para o cargo em Ibipitanga. Roberto Carlos, também apoiado pelo grupo, recebeu outros 851 votos. Na disputa para deputado federal, Sérgio Brito alcançou 2.893 votos e foi o mais votado no município, enquanto Félix Mendonça recebeu 654. Os dados eleitorais disponíveis confirmam ainda Bete na primeira colocação municipal entre os estaduais e Sérgio Brito na liderança entre os federais.
Nas eleições majoritárias, o grupo também conseguiu votações expressivas para os nomes que apoiou. O banner divulgado após a eleição registra 4.589 votos para Rui Costa e 4.457 para Jaques Wagner na disputa ao Senado. Para o Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues recebeu 5.336 votos em Ibipitanga, resultado correspondente a 56,32% dos votos válidos para governador no município.
O desempenho de 2026 ganha significado político quando observado ao lado da eleição municipal de apenas dois anos atrás. Em 2024, Beto e Baíta foram eleitos com 6.676 votos, correspondentes a 62,90% dos votos válidos, contra 3.937 do principal adversário. Foi uma diferença de 2.739 votos que assegurou ao prefeito o direito de iniciar, em janeiro de 2025, seu quarto mandato.
Não significa que todos os votos obtidos pelos candidatos em 2026 possam ser automaticamente atribuídos ao prefeito ou ao seu grupo, já que eleições gerais envolvem múltiplas lideranças, partidos e escolhas individuais do eleitor. Politicamente, entretanto, o fato de vários dos candidatos apoiados pela administração alcançarem votações expressivas no município oferece um indicador concreto da capacidade de mobilização da base governista.
É também esse conjunto de resultados que ajuda a dimensionar a longevidade de Beto na política de Ibipitanga. Para seus apoiadores, essa permanência encontra explicação principalmente nas transformações realizadas ao longo dos mandatos, na capacidade de buscar recursos e parcerias e na proximidade com as demandas da população. Mesmo entre adversários, há quem reconheça obras e avanços ocorridos durante suas administrações, embora avaliações sobre o conjunto de sua gestão naturalmente façam parte da disputa política local.
O resultado de domingo acrescenta mais um capítulo a essa trajetória. Beto e Baíta saem das eleições de 2026 com números que demonstram a capacidade eleitoral dos candidatos apoiados pelo grupo e com o desafio de transformar esse capital político em continuidade administrativa. Para quem chegou à Prefeitura pela primeira vez em 2009, depois da vitória eleitoral de 2008, e hoje exerce o quarto mandato, a política de Ibipitanga mudou muito. O que permanece é a presença de Beto no centro dessa história e de um grupo que, eleição após eleição, continua encontrando respaldo em parcela majoritária do eleitorado municipal.
