Vazamento crescente na estrutura do reservatório preocupa agricultores e moradores, enquanto problemas em outras barragens reforçam a necessidade de fiscalização, manutenção preventiva e transparência das autoridades.
A situação da Barragem de Ceraíma, localizada na zona rural de Guanambi, voltou a despertar preocupação e indignação. Um vazamento que persiste há anos, sem solução definitiva, estaria aumentando consideravelmente, provocando desperdício de água, prejuízos aos agricultores e receio de um possível comprometimento da estrutura. O problema expõe uma realidade preocupante no sertão baiano, onde reservatórios fundamentais para o abastecimento humano e a produção agrícola nem sempre recebem a manutenção necessária.
Segundo denúncias de representantes dos irrigantes, o vazamento já alcançaria aproximadamente 350 mil litros de água por hora, enquanto o reservatório opera com apenas 35% de sua capacidade. Os agricultores enfrentam dificuldades para manter suas lavouras, justamente quando uma quantidade expressiva de água continua sendo desperdiçada. O problema se arrasta há cerca de 13 anos, apesar dos anúncios de providências e intervenções que ainda não resultaram em solução definitiva.
Mais grave que o desperdício é a insegurança da população. Os agricultores temem que a falha possa representar ameaça à integridade da barragem, embora o vazamento, isoladamente, não permita concluir que exista risco iminente de rompimento. Essa avaliação depende de inspeção técnica especializada, capaz de esclarecer as condições reais da estrutura e indicar as medidas necessárias para garantir a segurança das comunidades.
A preocupação também alcança outros reservatórios do sudoeste baiano e da Bacia do Paramirim. Na Barragem do Zabumbão, em Paramirim, que passou a ser responsável pelo abastecimento de diversos municípios, sob a promessa do governo de edificar a barragem do Rio da Caixa e interliga-la ao sistema da adutora do Zabumbão. Apesar do início, as obras se arrastam e não tem previsão de finalização. Diante de possibilidades de seca, considerando que a região também enfrenta dificuldades relacionadas à redução das reservas hídricas, o temor é de um colapso regional, caso não sejam aceleradas as obras da barragem que promete garantir a segurança hídrica. Existem também informações de registros extraoficiais sobre vazamentos que ocorrem de tempos em tempos na adutora do Zabumbão, em Macaúbas.
Outro exemplo é a Barragem Luiz Vieira, em Rio de Contas, importante para o abastecimento e a irrigação em Livramento de Nossa Senhora e municípios vizinhos. A estrutura já enfrentou problemas de conservação, erosões e necessidade de recuperação, tendo recebido intervenções em anos anteriores. Embora não existam informações recentes que confirmem risco iminente de rompimento, seu histórico reforça a importância de inspeções periódicas e acompanhamento permanente.
O alerta ganha dimensão ainda maior diante da existência de centenas de barragens brasileiras que exigem atenção prioritária, seja por problemas de conservação, seja pelo descumprimento de requisitos de segurança. A insuficiência de investimentos em manutenção preventiva e as limitações dos órgãos fiscalizadores evidenciam fragilidades que precisam ser enfrentadas pelo poder público. Tudo isso sem se falar em degradação, leitos dos rios recebendo esgotos in natura em diversos municípios, sem que haja qualquer avanço nesse sentido.
Para o Jornal O Eco, a situação exige mais que anúncios de providências, reuniões, audiências. É indispensável que os órgãos responsáveis apresentem laudos atualizados, divulguem as condições de segurança dos reservatórios, esclareçam o andamento das obras e estabeleçam cronogramas transparentes de manutenção, garantindo a segurança hídrica. A população precisa conhecer os riscos reais, sem alarmismo, mas também sem omissão. Não se pode esperar que problemas conhecidos se transformem em tragédias para somente depois buscar soluções.
A Barragem de Ceraíma tornou-se mais um símbolo dessa preocupação. No sertão, onde cada litro de água representa sobrevivência, produção e esperança, permitir que vazamentos persistam durante anos é desperdiçar um patrimônio coletivo. Cabe às autoridades agir com urgência, fiscalizar com rigor e garantir que as barragens da região continuem cumprindo sua finalidade de armazenar água, sustentar a vida e oferecer segurança às comunidades. Afinal, prevenir custa menos que reconstruir, e nenhuma economia justifica colocar vidas humanas em risco.
