A contaminação da praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio de Salvador, completou nove meses sem uma solução definitiva para os problemas ambientais e sociais gerados na região. O episódio, que afeta diretamente a rotina de moradores, pescadores, marisqueiras e barraqueiros, mantém a faixa de areia e o mar interditados para banho e atividades produtivas.
Apesar da interdição oficial, quem passa pelo local relata a ausência de sinalização adequada, como placas de aviso e barreiras físicas que impeçam o acesso de frequentadores à área imprópria. Profissionais que dependiam do mar para o sustento diário continuam afastados de suas funções, acumulando prejuízos financeiros ao longo dos meses.
Origem da poluição e responsabilidade das empresas
O caso teve início com um vazamento de substâncias químicas durante uma operação de transporte de granéis sólidos no Terminal Itapuã. Análises realizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram altos índices de cobre, nitrato e outros compostos nitrogenados na água e nos sedimentos da praia.
O órgão ambiental apontou que a responsabilidade pela contaminação recai sobre as empresas Gerdau e Intermarítima. Segundo o Inema, a Intermarítima operava o terminal no momento da interrupção, enquanto a Gerdau administrou a estrutura por um período de 30 anos. Em junho, o órgão aplicou multas de R$ 50 milhões à Gerdau e de R$ 20 milhões à Intermarítima. A Intermarítima, por sua vez, nega que movimentasse cargas relacionadas aos materiais encontrados no local.
Impactos sociais e bloqueio judicial de bens
A gravidade da situação levou o Governo Federal a reconhecer a situação de emergência em Salvador. A medida foi seguida por prorrogações estipuladas pela Prefeitura de Salvador para tentar conter os danos sociais na comunidade afetada. Paralelamente, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens das companhias investigadas.
Diante da demora na reparação, moradores e trabalhadores realizaram protestos na altura da Base Naval, bloqueando vias para cobrar o pagamento de auxílios e indenizações prometidas. Propostas de acordo, como o pagamento de um auxílio emergencial único de R$ 12 mil por família, foram discutidas em reuniões com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e o Ministério Público Federal (MPF), mas as negociações com as empresas ainda não resultaram em repasses efetivos.
Enquanto os órgãos fiscalizadores mantêm o monitoramento na área afetada e as investigações seguem em andamento na esfera judicial, a comunidade local aguarda desdobramentos práticos que permitam a recuperação ambiental da praia e a retomada das atividades econômicas tradicionais.
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