Com popularidade acima da média nacional, mas pressionado pelo desgaste na segurança e nos serviços públicos, o PT enfrenta o desafio de manter a hegemonia na Bahia enquanto a oposição ensaia nova estratégia para 2026.
A política baiana volta a ocupar um papel central no xadrez nacional. Mais do que um estado de forte tradição petista, a Bahia é hoje a peça-chave que o presidente Lula pretende utilizar para sustentar sua estratégia de reeleição em 2026. O “lulismo baiano” não é um fenômeno recente, desde 2006, com a eleição de Jaques Wagner, a força de Lula tem sido determinante para moldar os rumos locais. Agora, diante de um cenário nacional marcado pela divisão da oposição e pelo desgaste do bolsonarismo, o Planalto enxerga na Bahia não apenas um reduto eleitoral, mas uma base de mobilização estratégica.
Os números confirmam essa leitura, segundo a última pesquisa Quaest, Lula ostenta 60% de aprovação entre os baianos, enquanto Jerônimo Rodrigues chega a 59%. Mais que simples índices, são indicadores de interdependência política, a popularidade de Lula fortalece Jerônimo, e o êxito da gestão estadual ajuda a consolidar o presidente no Nordeste. Esse alinhamento, contudo, não está imune a riscos. A segurança pública, rejeitada por 45% da população, é o calcanhar de Aquiles do governo estadual e pode fragilizar a narrativa de eficiência administrativa do PT. Se a violência continuar a crescer, a oposição terá em mãos uma das pautas mais sensíveis para desgastar tanto Jerônimo quanto Lula.
No campo oposicionista, a Bahia também se desenha como palco de reposicionamento. ACM Neto e João Roma, adversários históricos, firmaram um pacto de sobrevivência com vistas a 2026. Esse acordo busca construir um palanque competitivo no estado, ainda que submetido a riscos de isolamento diante do peso de Lula no Nordeste. O dilema da oposição é claro, manter-se atrelada ao bolsonarismo, hoje mais fragilizado e radicalizado, ou apostar em uma linha mais independente, capaz de dialogar com setores que rejeitam os extremos.
O desafio do PT, por sua vez, vai além da eleição presidencial. A longevidade no poder estadual, duas décadas ininterruptas, impõe a necessidade de renovação. O carlismo, outrora hegemônico, ruiu por não se reinventar. O PT, até aqui, conseguiu escapar desse destino ao lançar novas lideranças, mas precisará oferecer respostas concretas em áreas como segurança, saúde e educação. Sem isso, corre o risco de ver a fadiga do poder corroer sua base, mesmo em um estado onde Lula segue como fenômeno eleitoral.
No cenário nacional, a Bahia funcionará como vitrine. Se Lula conseguir demonstrar que mantém sua força intacta no maior colégio eleitoral do Nordeste, terá mais condições de se impor diante de uma direita dividida e de neutralizar a narrativa da oposição. Mas se os índices de violência e as falhas nos serviços públicos se agravarem, a oposição encontrará terreno fértil para minar a confiança no projeto petista.
Em síntese, a Bahia é hoje o termômetro de duas disputas simultâneas, a sobrevivência do PT como hegemonia estadual e a consolidação de Lula como liderança nacional. O próximo ciclo eleitoral mostrará se o “lulismo baiano” continuará sendo um ativo político ou se começará a se transformar em fardo.
