Com juros altos, falta de investimentos, desigualdade crescente e dependência maior de repasses sociais, pequenos municípios enfrentam fim de ano marcado por incerteza e queda no dinamismo econômico

O alto preço dos juros para conter a inflação, que tem provocado a desaceleração da economia brasileira, começa a tomar forma de maneira mais clara à medida que o ano se aproxima do fim, e seus efeitos se espalham por todas as regiões do país. No Nordeste, especialmente no interior da Bahia, os sinais de preocupação são visíveis no comércio, nas prefeituras e no cotidiano de moradores que dependem de uma economia frágil, pouco diversificada e ainda sustentada, em grande parte, por repasses governamentais. A ausência de investimentos de peso do governo federal, somada ao aumento persistente da desigualdade, aprofunda um cenário que já vinha se deteriorando.

Pesquisas recentes mostram que 43% dos brasileiros acreditam que a economia piorou no último ano, enquanto 54% afirmam não conseguir fechar o mês com o salário que recebem. Essa percepção é reforçada por análises de mercado que, desde o início de 2025, alertam para o risco de uma recessão técnica, com possibilidade de dois trimestres consecutivos de queda no PIB até o final do ano. O clima de incerteza, agora ampliado pela estagnação dos investimentos públicos federais, impacta diretamente as expectativas para o período de festas, marcado por receio, contenção e baixo otimismo.

Embora alguns indicadores regionais apontem para crescimento no Nordeste ao longo de 2025, esse movimento se distribui de forma desigual e os pequenos municípios do interior baiano estão entre os mais prejudicados. Dependentes de aposentadorias, auxílios sociais, pensões e dos repasses constitucionais que mantêm o básico das prefeituras funcionando, essas localidades sofrem com a falta de obras estruturantes, projetos federais de porte e políticas de geração de emprego e renda. Sem esses impulsos, a desigualdade se aprofunda e sufoca ainda mais os pequenos empreendedores e trabalhadores informais que sustentam a economia local.

Com o crédito caro devido aos juros elevados e sem atratividade para investimentos privados, comerciantes e informais relatam queda nas vendas e redução clara na circulação de dinheiro. Nem mesmo as primeiras chuvas, que tradicionalmente animam o sertão, conseguiram reaquecer as atividades produtivas. E sem a chegada de projetos públicos consistentes ou de iniciativas capazes de dinamizar a economia, os municípios ficam à mercê de repasses sociais que, embora essenciais, não substituem a falta de atividade econômica real. A ausência de investimentos federais robustos tem sido apontada por gestores municipais como um dos principais fatores que travam a retomada.

As prefeituras, por sua vez, seguem sobrecarregadas. Com baixa arrecadação e responsabilidades crescentes, enfrentam dificuldades para garantir serviços básicos e criar ações que estimulem o emprego. A inexistência de obras públicas, falta de pontualidade do governo estadual, tradicional motor da economia local, aprofunda ainda mais o marasmo. Sem obras, não há contratação de mão de obra, não há compras, não há giro. Sem giro, o comércio perde força, os informais veem a renda minguar e a desigualdade avança sobre quem já tinha pouco.

Apesar de algumas iniciativas de economia solidária e de programas estaduais e federais de incentivo, ainda insuficientes para enfrentar a profundidade do problema, o sentimento predominante no interior da Bahia é de cautela. Comerciantes observam o movimento diminuir, trabalhadores veem seus ganhos encolherem e gestores lidam com uma máquina pública cada vez mais pressionada, enquanto a desigualdade se torna um obstáculo diário para o desenvolvimento.

Com o risco de uma recessão rondando o país, a falta de investimentos estruturantes, o peso dos juros altos e a dependência crescente de recursos externos tornam o momento incerto para o Nordeste rural. Com os avanços tecnológicos e a praticidade do comércio virtual, para muitos comerciantes nos municípios baianos, a sensação é de que a economia está parada, esperam movimentos fortes de retomada, com ações federais e estaduais mais profundas, coordenadas e volumosas, para incentivar a virada econômica esperada para o próximo ano, que não pode demorar a chegar.