Ainda esta semana, o técnico da área agrícola, Engenheiro Everardo Caíres, que inclusive é Secretário Municipal de Meio Ambiente, em conversa informal, indagou-me qual seria a minha opinião como jornalista e ambientalista convicto, sobre os últimos acontecimentos envolvendo a construção da adutora do Zabumbão. Aproveitou para também indagar-me, sobre o porque da minha ausência em reuniões como a Plenária Ordinária do Comitê das Bacias dos Rios Paramirim e Santo Onofre, realizada no último dia 02 de abril de 2015, onde compareceram várias autoridades da área, organizações e gente do povo, preocupada com o desenrolar dos acontecimentos vindouros.

Sobre o primeiro questionamento a mim dirigido, declarei que,  há muitos anos, venho dando a minha singela contribuição no sentido de preservação da Barragem do Zabumbão e seus afluentes. Não somente no aspecto direto, com campanhas, diálogos com autoridades e ações que na realidade, não compete ao cidadão comum, mas, diante da ausência dos órgãos fiscalizadores e da administradora CODEVASF, colocamos a mão na massa. Como também de forma incisiva, através dos nossos veículos de comunicação de massa, temos denunciado incansavelmente os crimes ambientais, a poluição, irregularidades, enfim, minha atuação é pública e constante pela preservação.

Quanto ao fato de o governo estadual, com o aval dos órgãos responsáveis, decidir construir uma adutora e levar água para os municípios que tem sede, uma vez que a barragem foi construída para esse propósito, minha opinião é de que nada se pode fazer. Afinal, está explícito na Lei, que recursos hídricos, (mares, rios, lagos, lagoas, etc.). São administrados sob a competência da União (Governo Federal). Assim, ir contra, além de ilegal, pode ser interpretado como demagogia, incitação ao tumulto, é querer expor a população a uma “Guerra” na qual o governo já é vencedor. Nesses casos, poderá o governo, utilizar até a Força Nacional para assegurar que todos tenham acesso à água.

Esse é o motivo real de não alisar bancos em reuniões, fazer número para representantes de “Comissões” que não tem nenhum poder, para Superintendentes que já sabem o que vai ocorrer, ouvir discursos enfadonhos de quem deveria estar no campo, visitando os garimpos que poluem a barragem, as represas dos poderosos que sugam e até desviam o leito do rio antes da barragem, os motores que trabalham dia e noite sem nenhum escrúpulo. Entidades que deveriam estar punindo os responsáveis e interditando tais atividades clandestinas.

Reuniões deveriam ocorrer com temas sobre a REVITALIZAÇÃO DAS NASCENTES, discussões agora devem abordar A DESPOLUIÇÃO DA BARRAGEM QUE RECEBE ESGOTOS IN NATURA, as diárias gordas pagas aos representantes de INEMA, ANA, CODEVASF, para promoverem debates, deveriam ser valorizadas se tratassem sobre o destino das MATAS CILIARES, sobre o que fazer com a morte prematura que ocorre nesse momento com o leito do Rio. Deveriam mobilizar sim a população, para cobrar inclusive do governo federal, a TOTAL REVITALIZAÇÃO DOS AFLUENTES, garantir a saúde de toda a BACIA, antes de ampliarem o fornecimento. Ao invés de pregarem inverdades, enchendo o peito para falarem sobre o Rio São Francisco como exemplo de competência em conservação e distribuição, apresentando projetos mirabolantes, que visam inclusive levar água para o interior do Ceará, quando na verdade, nós que conhecemos, testemunhamos um Rio São Francisco assoreado, mal tratado, com 0% de revitalização. Isso é HIPOCRISIA, vão matar o velho Chico.

Apenas para que fique registrado. Nunca seremos contra a ida de água para aqueles que dela necessitam, porém, a preocupação atual, é com o fortalecimento de uma bacia e seus afluentes. Se a questão ambiental, a preservação não se iniciar de imediato com ações firmes e eficazes, corremos todos, o risco de desabastecimento em massa.

Samuel Rodrigues de Lima – Jornalista