
A estudante paramirinhense Lavínia Thereza (17 anos), recém-saída do ensino médio, sem nenhuma experiência com cursinhos preparatórios, conseguiu ser aprovada de 1ª pelo SISU na Universidade Federal. A adolescente que já havia sido classificada em diversos vestibulares como treineira, à exemplo dos cursos de farmácia, odontologia, direito, história e jornalismo, quando cursava o 1º e 2º ano do colégio Opção em Vitória da Conquista, fez o ENEM no final do ano passado, obtendo uma das maiores notas na redação (920 pontos), sendo que a sua média geral ficou em 747,87.
Com essa pontuação alcançada, Lavínia poderia escolher qualquer curso oferecido pelo SISU, exceto medicina. A nota também é suficiente para que ela tenha êxito inclusive em medicina através do PROUNI ou FIES, além de ser aceita em Universidades Particulares sem a necessidade de vestibular. Ocorre que, mesmo sendo assediada pelos pais e familiares para tentar carreira na área de saúde, a menina arretada, destaque pela inteligência demonstrada, já decidiu que vai para a Universidade Federal graduar-se em direito, seguindo a carreira jurídica, inspirada no irmão mais velho Dr. Lucas que hoje é Coordenador do CEJUSC, Assessor Jurídico e representante da FAINOR no Vale do Paramirim.

Cuidadosos diante de inusitada situação, a ida precoce da adolescente para um campus universitário, os pais Sandra e Samuel, apesar de muito felizes com o desempenho da estudante, ainda tentaram argumentar, negociando a permanência da filha caçula mais próximo de casa, tentaram postergar essa decisão. No entanto, decidida como sempre foi, Lavínia, quer mesmo estrear nas aulas de hermenêutica do primeiro semestre. Como optou pela UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia), já está providenciando moradia em Barreiras, onde terá que se adaptar aos poucos, tanto à faculdade quanto à cidade. “Está tudo bastante corrido. É muita coisa nova acontecendo. Mudança de escola, de cidade, mas aos poucos irei me adaptando”, comentou.

Rotina de estudos
Lavínia não tinha uma rotina de estudos definida, pelo fato de estar ainda cumprindo o último ano do colégio. Estudava em casa nas horas de folga e segundo ela, o que fez a diferença no seu desempenho foram as orientações dos seus professores do Colégio Opção. “Eu tinha aula de manhã a tarde, quando eu chegava em casa, primeiro dedicava tempo às atividades curriculares, depois revia alguns temas, apostilas do ENEM e textos tentando adivinhar o tema da redação. Nos fins de semana, eu costumava estudar um pouco mais sobre assuntos do exame”, contou. “Eu esperava ter um bom desempenho, mas não em ser aprovada na federal, no curso que eu quero. Foi uma sensação indescritível”, concluiu.
Boa aluna
A estudante sempre foi um exemplo de determinação. Até mesmo os professores, diretores do Colégio Opção, já esperavam que ela teria sucesso no vestibular e falam dela com muito orgulho. “Ela sempre foi muito focada. Sempre tirou boas notas em todas as disciplinas, mesmo as que ela dizia não ter muita afinidade. Porém, o que mais chamava atenção, era sua performance participativa. Ela participava de tudo: olimpíadas, aulas de aprofundamento, simulados. Tudo o que a escola oferecia, aproveitou muito bem esse período”, disse Dona Fia a Diretora e amiga pessoal de Lavínia.
Questionada sobre a real possibilidade de vir a cursar medicina, uma profissão tida como de elite, Lavínia demonstrou firmeza em declarar que “até pouco tempo, eu realmente pensei nisso, comentava com os colegas e meus pais. Mas, de acordo com a evolução nos estudos, quanto mais chegava próximo eu me afligia, pois até os testes vocacionais, todos que eu fiz, nenhum indicou esse perfil para área de saúde. Eu decidi finalmente há algum tempo que não seria feliz só por escolher o que “teoricamente’ dá mais dinheiro. Acho que vou me sair bem no campo jurídico, pois me identifico por demais com os tribunais, especialmente o do júri”. Confessou a menina.
A mãe que é Assistente Social, Jornalista e empresária, contou que ficou muito feliz quando Lavínia optou pelo direito, mesmo sem nenhum tipo de pressão dentro de casa. “Nós a apoiaríamos para qualquer curso, mas claro que ficamos muito felizes com a escolha dela e do irmão. Ver os filhos seguindo o que querem, com certeza é motivo de muita alegria. Para qualquer mãe, isso dá uma sensação de dever cumprido”, disse.

