Guinada é atribuída ao trabalho da comunicação comandada por Sidônio Palmeira que assumiu pessoalmente a missão de reaproximar o presidente Lula da população

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a colher os frutos de uma mudança estratégica no modo como se comunica com a população. A mais recente pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na manhã deste sábado, revela um salto expressivo na aprovação do governo: de 24% em fevereiro para 29% em março — uma alta de cinco pontos percentuais em apenas um mês.

Mais do que números, os dados indicam um ponto de inflexão na trajetória da imagem do governo federal. Pela primeira vez em meses, a desaprovação — que vinha crescendo — deu sinais de recuo. A proporção dos que classificam o governo como “ruim ou péssimo” caiu de 41% para 38%. Já a fatia dos que consideram a gestão “regular” manteve-se estável em 32%, o que, segundo analistas, também é um sinal de que o desgaste foi estancado. Por trás dessa virada está uma mudança de rota na comunicação institucional, liderada pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira. Com vasta experiência em campanhas políticas, Palmeira assumiu pessoalmente a missão de reaproximar o presidente Lula da população — e os primeiros resultados já aparecem.

“A imagem do presidente é resultado de três pilares: comunicação, gestão e política. Nenhum se sustenta sozinho”, afirmou o ministro em recente entrevista. Segundo ele, a nova estratégia de comunicação busca simplificar a linguagem do governo, dar mais protagonismo às entregas e retomar a narrativa emocional que historicamente ligou Lula ao povo. Especialistas ouvidos por nossa reportagem destacam que a mudança de percepção em tão pouco tempo é rara na política brasileira. “Aumentar cinco pontos em um mês e, ao mesmo tempo, reduzir a rejeição, mostra que a sociedade voltou a escutar o que o governo tem a dizer — e está gostando do que vê”, avalia a cientista política Márcia Teixeira, da Universidade de Brasília.

A tendência abre espaço para um novo ciclo de otimismo dentro do Palácio do Planalto. Com a proximidade das eleições de 2026, aliados de Lula veem na reestruturação da comunicação uma ferramenta crucial para reverter desgastes e recuperar capital político. A avaliação interna é que, se a nova abordagem for mantida, o presidente poderá chegar ao próximo pleito com fôlego renovado. Nos bastidores, a movimentação também tem impactos positivos: parlamentares da base estão mais dispostos a defender o governo em suas regiões, e ministros passaram a adotar um discurso mais alinhado com a narrativa central de reconstrução do país.

Em um cenário político cada vez mais polarizado, Lula parece reencontrar o tom certo. E se os sinais da pesquisa Datafolha se mantiverem nos próximos meses, a disputa de 2026 pode se desenhar sob um novo clima — mais favorável ao atual presidente e à sua capacidade de se reconectar com o Brasil profundo. O que parecia ser um momento de desgaste, agora se transforma em janela de oportunidade. E, para Lula, não há tempo a perder.