Todas as áreas no entorno do Espaço Glauber Rocha estiveram tomadas por uma multidão que aprovou a escolha da programação com muito forró.
Apesar dos incidentes do dia da abertura, causados por empresas que deixaram de cumprir os prazos de montagem da estrutura e provocaram alguns atrasos nas apresentações, o Arraiá da Conquista foi encerrado com chave de ouro já nos primeiros raios de sol desta segunda-feira. A grande lotação da última noite foi a confirmação de que a Prefeitura acertou na programação deste ano, retorno da festa de São João depois de dois anos de saudade causada pela pandemia. A festança teve início na quinta-feira (23).
E assim foi na sexta-feira (23), a coisa já esquentou com Hermeto Pascoal, grande artista das Alagoas, além de artistas da terra. Nas noites seguintes a animação se expandiu com Rege de Anagé, que não deixou dúvida sobre o domínio do repertório junino, seguido por Jessier Quirino, que veio direto da Paraíba para contar histórias típicas do sertão e cantar, com sua característica elogiada por onde vai, coisas que ganharam o público. Com Xamego da Bahia não foi diferente e um público ainda maior, que chegou mais perto, dançou muito, em um esquenta da agitação que seria o show de Larissa Gomes. Às 4 da manhã, mais de três mil pessoas ainda cantavam as músicas conhecidas da cantora.
Segundo especialistas em eventos, no sábado, média de público das duas primeiras noites foi superada. Uma estimativa de público de 10 mil pessoas circulavam pelo Glauber Rocha, dançando na Vila Junina ou em frente ao palco principal, que foi aberto com Forró da Gota, responsável pela recepção à multidão que começou a chegar às 19 horas para curtir o forró, arrastar o pé e conhecer Renato Borghetti e seu incrível domínio da sanfona, ou gaita, como chamam lá no Rei Grande do Sul de onde ele veio.
Quem curtiu não se fez de rogado e aplaudiu a arte de Renato Borghetti, que seria substituído no palco por Erlan, que trouxe o forró de volta e fez o público se mexer, os casais agarradinhos. Na hora do show de Erlan foi atingido o ápice da lotação no Glauber Rocha, com uma multidão que se divida entre o show, a Vila Junina, as barracas de comidas e bebidas. Bom para o Forró do Mariá, grupo que se agiganta no cenário do forró baiano, com uma performance elogiada a cada show.
Fechando em elevado estilo o evento, tocaram Flor de Imbuia, Lucy Alves, Mão Branca, Rony Barbosa e Leonardo de Luna. O grupo Flor de Imbuia, composto apenas por mulheres, fez uma abertura digna de um grande evento de São João e abriu o caminho para outra mulher fazer o público delirar. Lucy Alves falou da honra de tocar no São João de Vitória da Conquista.
E falar o que de Edgar Mão Branca? Nem precisa dizer nada. Provavelmente o maior responsável pela multidão presente no Glauber Rocha, Mão Branca desfiou clássicos do São João, fez o que se esperava dele: estimular os casais a dançarem, os solteiros idem e todos o acompanharem nos forrós que ninguém consegue cantar melhor do que ele.
Tanta gente boa tocando e cantando, tanta gente dançando e se divertindo, em paz, na Vila Junina, no palco Teatro, nos momentos das apresentações de dança e quadrilha, consolida a ideia da Prefeitura: uma festa muito animada, mas tranquila; lotada, mas organizada; um Arraiá da Conquista para matar a saudade do São João e abrir caminho para muitos que virão nos anos seguintes.