A região, com mais de 300 mil habitantes, clama por um equipamento de saúde de alta complexidade e garante: se a obra sair do papel, a gratidão da população será eterna.
A inauguração do Hospital Regional do Velho Chico, em Ibotirama, trouxe esperança e dignidade para milhares de baianos do Oeste. Foram mais de R$ 103 milhões investidos pelo governo estadual, que entregou um moderno centro de referência com leitos de UTI, centro cirúrgico equipado, diagnóstico por imagem completo e atendimento de urgência e emergência 24 horas, um marco para a saúde pública baiana.
Mas, enquanto os moradores do Oeste celebram a conquista, cerca de 300 mil pessoas da Bacia do Paramirim e municípios adjacentes continuam aguardando, com crescente indignação, a realização de um sonho que se arrasta há décadas, o Hospital Regional do Vale do Paramirim. De Tanque Novo a Livramento de Nossa Senhora, passando por Boquira, Macaúbas, Paramirim, Rio do Pires, Ibipitanga, Érico Cardoso, Caturama, Rio de Contas, Jussiape, Dom Basílio e tantas outras cidades, a cobrança é a mesma, quando o governo vai, de fato, anunciar e iniciar as obras dessa unidade hospitalar?
O governador Jerônimo Rodrigues já afirmou, em discurso, que “a Bahia não pode aceitar que sua população percorra centenas de quilômetros em busca de atendimento”. Entretanto, essa é a realidade cruel enfrentada diariamente pelos moradores do Vale do Paramirim, que precisam se deslocar para cidades distantes em busca de serviços de média e alta complexidade. O governo chegou a sinalizar estudos de viabilidade, mas nada saiu do papel. Em certos momentos, cogitou até transferir o projeto para Brumado, uma decisão que seria mais uma vez um golpe contra os moradores da região.
Até agora, o que se oferece são pequenos paliativos, ambulâncias, kits UBS, aparelhos de raio-X. São conquistas importantes, mas incapazes de resolver a maior lacuna da região, a falta de um hospital regional capaz de oferecer atendimento completo e de qualidade.
O contraste é evidente, enquanto Ibotirama recebeu uma estrutura que revolucionará o acesso à saúde no Velho Chico, a Bacia do Paramirim amarga promessas e indefinições. O Hospital Aurélio Rocha, em Paramirim, por exemplo, dispõe de área suficiente para ser ampliado e transformado em referência regional. Com investimentos, poderia triplicar ou até quadruplicar sua estrutura física, abrigando especialistas, leitos de UTI e equipamentos modernos que beneficiariam toda a população regional.
Pesquisas de opinião realizadas pelo Jornal O Eco em todos os municípios citados são categóricas, o maior desejo da população é a construção imediata do hospital regional, melhorando a qualidade e o acesso à saúde. Não se trata apenas de uma obra, mas de um divisor de águas para o desenvolvimento social, econômico e humano da região. O prazo aperta, com o governo Jerônimo entrando em seu último ano de mandato, a população teme que o sonho siga sendo adiado indefinidamente. Prefeitos, vereadores, lideranças políticas e a própria comunidade já se uniram em uma só voz: “Vale do Paramirim clama por um Hospital Regional”.
Fica a pergunta ao governador e à Secretaria de Saúde da Bahia, se o Velho Chico merecia, será que o Vale do Paramirim, tão leal ao governo e historicamente esquecido, não merece também ser contemplado? O tempo das promessas acabou, a região não pede favores, mas exige respeito e investimentos proporcionais à sua importância. É hora de transformar o discurso em realidade.
