Relatórios do TCU e da CGU expõem falhas graves na execução da ferrovia e acendem preocupação em toda a região
A Ferrovia de Integração Oeste–Leste (Fiol), projeto considerado vital para o desenvolvimento econômico do Sudoeste e Oeste da Bahia, volta a ser motivo de preocupação após novos relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que revelaram atrasos significativos, falhas graves de gestão e indícios de irregularidades que comprometem a continuidade da obra. O trecho 2 da ferrovia, especialmente o lote 5F, considerado estratégico por conectar etapas fundamentais da construção, apresentou avanço de apenas 3% em nove meses, mesmo com previsão de investimentos de R$ 79 milhões no período. Segundo o TCU, nenhum projeto executivo foi aprovado, impossibilitando o início das etapas estruturais e colocando sob suspeita a condução do contrato firmado entre a Infra S.A. e a empresa responsável pela execução.
Os fiscais identificaram atrasos em serviços essenciais como terraplenagem, obras de arte, drenagem e superestrutura. A Infra S.A., estatal encarregada do planejamento e supervisão da obra, foi alertada sobre o risco de omissão diante do descumprimento contratual, já que a ausência de processos sancionatórios contra empresas inadimplentes pode caracterizar falha de gestão. A situação se agrava ao se considerar o histórico de interrupções e deficiências já apontadas anteriormente pela CGU no lote 6F, que alcançou apenas 13,9% de execução em quase dez anos e acumula problemas técnicos, ambientais e documentais.
Entre as irregularidades identificadas pela CGU, destacam-se obras iniciadas sem licenciamento ambiental válido, intervenções em trechos sensíveis, como a chamada Variante das Cavernas, sem estudos geotécnicos aprofundados e alterações no projeto, incluindo a substituição de pontes por bueiros, feitas sem autorização do Ibama. A ausência de análise do pedido de renovação da licença ambiental, protocolado ainda em 2023, manteve trechos importantes paralisados por quase um ano e elevou o risco de impactos ambientais em áreas com características geológicas complexas. Além disso, intervenções sem aprovação técnica, como as executadas no Riacho Desvio de Pedra, aumentam o risco de alagamentos e rompimentos, o que pode gerar prejuízos públicos ainda não mensurados.
Esse conjunto de atrasos, falhas e intervenções irregulares alimenta a preocupação crescente no Sudoeste baiano quanto ao futuro da Fiol. A possibilidade de novas paralisações ameaça diretamente setores econômicos dependentes da ferrovia, especialmente o agronegócio, que vê na obra um caminho essencial para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção regional. Investidores, produtores e lideranças locais temem que a lentidão e o acúmulo de problemas comprometam a viabilidade do projeto e causem danos incalculáveis ao desenvolvimento da região, que há mais de uma década aguarda a conclusão da ferrovia como motor de transformação.
A população e os setores produtivos cobram mais transparência, rigor e responsabilidade na condução da obra, diante de um cenário que volta a acender o alerta máximo sobre um dos projetos de infraestrutura mais importantes do estado. Para o Sudoeste baiano, o tempo da tolerância com atrasos e irregularidades parece ter acabado, e a mensagem é clara: a região não pode arcar com o custo de novas interrupções e do desperdício de investimentos que poderiam mudar seu futuro econômico e social.
