Alegando saúde frágil e cenário político acirrado, pessoas próximas sinalizam que o ex-presidente deve evitar cumprir pena em presídio comum
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já admite a possibilidade de ser condenado no julgamento da chamada “trama golpista”, que deve ser concluído nesta sexta-feira (12) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Diante desse cenário, aliados próximos afirmam que a defesa vai se antecipar para pedir que ele cumpra eventual pena em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde que vêm se agravando nos últimos meses.
Bolsonaro já está em prisão domiciliar desde agosto, por descumprir medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Caso seja condenado, o próximo passo será tentar convencer a Corte de que seu quadro clínico não permite uma prisão em regime fechado, seja na Papuda, em Brasília, ou em instalações da Polícia Federal. A avaliação de pessoas ligadas ao ex-presidente é de que colocá-lo atrás das grades poderia gerar riscos à sua vida, o que teria impacto político ainda maior.
Nos bastidores, aliados relatam que Bolsonaro apresenta sucessivas crises de soluço, vômitos, dificuldades de alimentação e até perda de peso. Ele também deve passar por um procedimento médico neste domingo (14), após o julgamento, para retirada de pintas na pele que serão submetidas a biópsia, a fim de investigar possível câncer. O ex-presidente já havia passado por exames semelhantes em 2019, quando o resultado foi negativo.
A expectativa é de que, mesmo com uma condenação que pode ultrapassar 40 anos de prisão somados, a defesa tente adiar ao máximo o cumprimento em regime fechado. Os recursos, entretanto, devem se esgotar rapidamente, e a alternativa mais viável seria a manutenção da prisão domiciliar, reforçada por laudos médicos atualizados.
Entre os aliados, o clima é de preocupação. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que prender Bolsonaro em um presídio seria “querer matar o ex-presidente”, destacando que ele está muito debilitado. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), um de seus filhos, também declarou publicamente que o pai emagreceu, tem pouca vontade de se alimentar e segue enfrentando crises constantes.
Ainda assim, alguns apoiadores buscam mostrar resiliência. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que o encontrou sereno, embora visivelmente fragilizado. Já o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, argumentou que a condição de Bolsonaro é reflexo direto da prisão: “Se estivesse livre, ele sarava na hora”.
Nos próximos meses, caso o STF confirme a condenação, o mais provável é que Bolsonaro siga em prisão domiciliar, recebendo visitas controladas da família e apresentando novos relatórios médicos. Essa estratégia tem sido traçada passo a passo desde que ele decidiu não comparecer às sessões de julgamento, alegando incapacidade física de suportar as longas horas no tribunal.
O próprio ex-presidente já declarou a interlocutores que sua prisão representaria “o fim da vida”. Se a condenação realmente se confirmar, a principal disputa não será mais sobre sua inocência, mas sobre onde e como ele cumprirá a pena.
