Gigantes do setor privado e diplomacia do Itamaraty abrem caminho para possível acordo que pode baratear café, frutas e carne, beneficiando o Nordeste e fortalecendo o sertão baiano
A relação entre Brasil e Estados Unidos pode estar prestes a inaugurar uma nova fase de cooperação. Depois de meses de tensão, um esforço conjunto de grandes empresários brasileiros e da diplomacia do governo Lula, ajudou a abrir espaço para um gesto de aproximação do presidente americano Donald Trump. O primeiro sinal veio na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, quando os dois líderes trocaram um rápido cumprimento. Esse encontro levou ao agendamento de uma reunião virtual para a próxima semana, que poderá destravar negociações e sinalizar uma trégua tarifária.
Por trás dessa mudança de clima estão empresas como Embraer e JBS, que articularam encontros em Washington com parlamentares e representantes do governo americano. Nessas conversas, o setor privado mostrou que sobretaxas sobre produtos brasileiros, como carne bovina, café e frutas, acabam pesando no bolso do consumidor americano e prejudicando as cadeias de abastecimento. A Confederação Nacional da Indústria também participou das negociações, reforçando que a hostilidade comercial afasta investimentos e cria instabilidade para os dois lados.
Os argumentos convenceram setores estratégicos da administração Trump, especialmente no Escritório de Comércio e no Departamento do Tesouro, que passaram a defender uma abordagem mais pragmática e voltada para o comércio. O resultado foi imediato: na última rodada de sanções anunciada em setembro, não houve novas tarifas, e cresce a expectativa de que produtos como a carne brasileira, o café e o algodão entrem na lista de isenção de um tarifaço de 50%.
A possível trégua anima produtores nordestinos, que veem uma oportunidade de ampliar as exportações de manga, maracujá e outras frutas, além de fortalecer o escoamento de café e algodão para o mercado americano. A notícia é especialmente positiva para agricultores do sertão produtivo, da Chapada Diamantina e do Vale do Paramirim, que poderão ganhar competitividade e voltar a exportar, ampliando sua presença no comércio exterior. Para essas regiões, onde a produção é um dos principais motores da economia local, a redução de tarifas pode significar a volta dos empregos, maior renda e preços mais competitivos.
Aliados de Lula consideram que o presidente saiu politicamente fortalecido do episódio, apresentando-se como um líder capaz de dialogar sem abrir mão da soberania nacional. Do lado americano, Trump também busca uma saída negociada para reduzir tensões e responder à pressão interna por medidas que baixem o custo de vida.
