Atos organizados por movimentos de esquerda integraram mobilização nacional contra o PL da Dosimetria e reuniram manifestantes em diferentes regiões do estado
Manifestações organizadas por movimentos e frentes ligadas à esquerda ocorreram neste domingo (14) na capital baiana e em cidades do interior da Bahia, como parte de uma mobilização nacional contra o Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados. Os atos reuniram militantes, representantes sindicais e integrantes de movimentos sociais que criticaram a atuação do Congresso Nacional e cobraram mudanças no texto que agora seguiu para o Senado Federal.
Em Salvador, o protesto aconteceu no bairro da Barra, com concentração pela manhã na região do Cristo da Barra, um dos principais pontos turísticos da cidade. No interior do estado, manifestações também foram registradas em municípios de médio porte, com caminhadas, discursos públicos e atos simbólicos em praças centrais, seguindo a mesma pauta nacional.
Além da Bahia, capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre também registraram protestos ao longo do domingo. Nessas cidades, os atos ocorreram em áreas centrais e avenidas de grande circulação, reunindo movimentos sociais, centrais sindicais e representantes partidários alinhados à esquerda.
Os organizadores utilizaram lemas como “Congresso inimigo do povo” e “Sem anistia para golpistas”, em referência ao PL da Dosimetria, que altera regras de progressão de pena. Para os manifestantes, a proposta pode beneficiar pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas, em Brasília.
O projeto aprovado pela Câmara modifica o tempo mínimo para que presos possam progredir do regime fechado para o semiaberto ou aberto, reduzindo de um quarto para um sexto da pena, com exceções para crimes hediondos e reincidentes. Parlamentares e movimentos de esquerda argumentaram que a mudança enfraquece punições aplicadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Durante os atos, críticas foram direcionadas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por pautar a votação do projeto. Além da contestação ao PL, os manifestantes também levantaram outras pautas sociais, como o fim da escala de trabalho 6×1, o combate ao feminicídio e a defesa de direitos trabalhistas.
As manifestações transcorreram de forma pacífica nos locais acompanhados, com uso de faixas, cartazes e palavras de ordem. As mobilizações reforçaram a pressão de setores da esquerda organizada sobre o Congresso Nacional em um momento de debate intenso sobre a revisão de penas e a tramitação de projetos ligados ao sistema penal.
O Projeto de Lei da Dosimetria seguiu agora para análise do Senado Federal. Parlamentares da base governista indicaram que pretendiam atuar para barrar ou modificar o texto durante a tramitação, antes da votação prevista para os próximos dias.
