Buscando tirar o foco da situação vexatória, o ex-prefeito, utilizando dados duvidosos, disse que essa é a pior seca dos últimos 40 anos e criticou a atuação do governador Jerônimo Rodrigues, afirmando que a situação é de negligência e abandono.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (3) a terceira etapa da Operação Overclean, que investiga o envolvimento do grupo político do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, no desvio de cerca de R$ 1,4 bilhão de reais do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS) e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF). Esses órgãos têm papel fundamental na execução de ações estruturantes e emergenciais para o enfrentamento da seca no Nordeste. Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju, tendo como um dos alvos o ex-secretário de Educação da Prefeitura de Salvador, Bruno Barral.

Apesar das graves denúncias que envolvem seu grupo político, ACM Neto recorreu às redes sociais nesta semana para criticar a seca que assola a Bahia e cobrar medidas do governo estadual. Em sua declaração, ele alegou que essa é a pior estiagem em 40 anos, fato que especialistas não confirmam. O ex-prefeito criticou a atuação do governador Jerônimo Rodrigues, afirmando que a situação é de negligência e abandono.

Nos bastidores, fontes ligadas ao governo estadual avaliam que a estratégia de ACM Neto busca desviar a atenção das denúncias que pesam contra seu grupo político. Um interlocutor do governo, que preferiu não se identificar, afirmou que, com os R$ 1,4 bilhão supostamente desviados, seria possível construir barragens e adutoras, garantindo o abastecimento de água em várias regiões afetadas pela seca. “Esse dinheiro também poderia ser investido na distribuição de carros-pipa e no apoio à alimentação animal e humana. Ele pensa que nós enrola”, ironizou a fonte.

Diante das críticas de ACM Neto, o governador Jerônimo Rodrigues deve anunciar nos próximos dias um pacote de medidas para mitigar os efeitos da seca no estado. A expectativa é de que o plano inclua investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação da distribuição de água e suporte às comunidades atingidas. Especialistas apontam que a crise hídrica é um problema recorrente na Bahia e que soluções estruturais exigem investimentos sérios e de longo prazo. Enquanto isso, o debate político se intensifica, e a população do semiárido segue aguardando ações concretas para minimizar os impactos da seca.