Feira de Santana vira o tabuleiro onde carlistas e petistas costuram incentivos para fisgar o apoio do gestor mais cobiçado da Bahia
Em corredores de poder no Palácio de Ondina e em salas reservadas de Salvador, a movimentação é a mesma, todos querem conversar com José Ronaldo. O prefeito de Feira de Santana, apesar de afirmar reiteradas vezes que não disputará cargo eletivo em 2026 e que seu foco está na gestão do segundo maior colégio eleitoral da Bahia, sabe que sua decisão política terá peso muito além dos limites da Princesa do Sertão.
Desde o fim de 2025, quando Ronaldo passou a sinalizar que só entraria de fato no debate eleitoral no ano da disputa, líderes das duas principais chapas ao governo intensificaram conversas discretas para tentar atrair seu apoio. A leitura é simples nos bastidores, quem contar com Zé Ronaldo ganha musculatura no interior, capilaridade política e um discurso de força junto a prefeitos e lideranças regionais.
No campo governista, aliados do governador Jerônimo Rodrigues enxergam no prefeito de Feira uma ponte estratégica para ampliar a presença petista em territórios historicamente mais alinhados ao carlismo. A aproximação tem sido construída com gestos institucionais, anúncios de investimentos e sinais públicos de boa convivência administrativa. Oficialmente, todos negam tratar de eleição, mas nos bastidores já se comenta que vagas importantes na chapa majoritária poderiam entrar na mesa como forma de seduzir o gestor.
O encontro recente entre Zé Ronaldo e Geddel Vieira Lima deu combustível extra a essas especulações. Embora ambos insistam que a conversa foi apenas entre amigos e sobre cenários gerais da política baiana e nacional, a leitura no meio político é de que o MDB pode atuar como ponte para uma eventual composição com o grupo do governador, inclusive com a hipótese de o prefeito ser acomodado em uma posição de destaque, como a vice-governadoria.
Do lado oposicionista, ACM Neto também se movimenta para não perder um aliado histórico. Integrantes do União Brasil trabalham para manter Zé Ronaldo no campo carlista, lembrando sua relevância em eleições passadas e o fato de ele ter sido preterido na última hora na formação da chapa de 2022. A oferta de protagonismo voltou ao radar, com a vice novamente aparecendo como possibilidade para selar a permanência do prefeito no grupo.
Aliados de Neto reforçam que Zé Ronaldo é peça central na engrenagem política do ex-prefeito de Salvador e que seu papel em 2026 será decisivo, seja na coordenação política no interior, seja na composição da chapa. O discurso público é de unidade, mas nos bastidores há o reconhecimento de que a disputa pelo prefeito de Feira está longe de ser trivial.
Há ainda um fator jurídico que pesa sobre qualquer cenário mais ousado. Para ser candidato a vice-governador, Zé Ronaldo teria de renunciar ao mandato até seis meses antes do pleito, o que abriria espaço para o vice-prefeito assumir a prefeitura. Essa variável adiciona cautela às negociações e reforça a ideia de que qualquer decisão será tomada apenas após uma análise minuciosa de custos políticos e administrativos.
Enquanto isso, o próprio Zé Ronaldo mantém a postura de quem observa o tabuleiro com calma. Publicamente, repete que seu compromisso é com Feira de Santana e que ainda é cedo para definições eleitorais. Nos bastidores, porém, poucos duvidam de que seu apoio será um dos troféus mais disputados da sucessão estadual, capaz de provocar concessões relevantes tanto no campo governista quanto na oposição.
