Negócio firmado por meio de empresa criada em 2021 entra no radar público e reacende discussão sobre limites entre relações privadas e influência política

Uma relação comercial entre o Banco Master e empresa vinculada à família do senador Jaques Wagner trouxe novos elementos ao debate sobre governança e possíveis conflitos de interesse no ambiente público.

Segundo informações publicadas pela colunista Milena Teixeira, do portal Metrópoles, uma empresa em nome de Bonnie de Bonilha, nora do parlamentar, integra a folha de pagamento da instituição financeira. Bonilha foi contratada para atuar na prospecção e indicação de operações de crédito consignado, modalidade amplamente utilizada em todo o país.

O contrato foi firmado por meio da BK Financeira, empresa fundada em 2021, na qual Bonnie é sócia do advogado Moisés Dantas. Em declaração à coluna, Dantas detalhou a natureza do serviço prestado. “Somos sócios desde 2022, e o serviço prestado não foi de consultoria, mas de prospecção e indicação, em caráter de exclusividade, de operações e convênios de crédito consignado”, afirmou.

Ele acrescentou ainda que todas as transações foram formalizadas. “Todos os valores recebidos foram registrados por meio de nota fiscal, e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”, completou. Procurada, Bonnie preferiu não se manifestar diretamente, indicando seu sócio como responsável pelos esclarecimentos.

Bonnie é casada com Eduardo Sodré, atual secretário estadual e enteado do senador, o que amplia a repercussão política do caso, especialmente no cenário baiano.

Em nota, Jaques Wagner afirmou que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”, ressaltando que eventuais esclarecimentos devem ser prestados exclusivamente pela empresa envolvida.

Outro ponto que chama atenção é a movimentação recente no histórico empresarial de Bonnie. Além da BK Financeira, ela também figura como proprietária da BN Representações. Registros da Receita Federal apontam que a empresa atua hoje no desenvolvimento e licenciamento de softwares não customizáveis.

Até 26 de janeiro deste ano, no entanto, a companhia operava sob outra razão social: “Vamos Florir Comércio de Flores Ltda.” com atuação voltada ao comércio varejista de plantas e flores naturais. No mesmo período, houve mudança no quadro societário, com a saída de seu irmão, Patrich Toaldo Bonilha, e a assunção da gestão individual por Bonnie.

Embora não haja, até o momento, comprovação de irregularidade, especialistas em compliance e gestão pública apontam que a proximidade entre agentes políticos e relações comerciais privadas tende a intensificar a cobrança por transparência.

O caso se insere em um contexto mais amplo de vigilância social sobre a atuação de figuras públicas e seus círculos familiares, reforçando a importância de mecanismos claros de prestação de contas e integridade nas relações entre o setor público e o privado.