Sessões desta semana analisarão denúncias de participação em plano golpista após as eleições de 2022

O Supremo Tribunal Federal retoma nesta terça-feira (18) o julgamento do chamado Núcleo 3 da ação que apura uma trama golpista articulada após as eleições de 2022. Entre os réus está o policial federal baiano Wladimir Matos Soares, que recebeu autorização para acompanhar presencialmente a sessão em Brasília. A participação de um agente da Bahia tem despertado grande atenção no interior do estado, onde a atuação da Polícia Federal costuma ser menos visível no cotidiano.

O grupo, formado por nove militares de alta patente e pelo agente federal, será julgado em três sessões, na manhã e na tarde desta terça-feira e na manhã de quarta-feira (19). Eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O primeiro voto será o do relator, ministro Alexandre de Moraes, seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, encerrando a sessão, o presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino. Caso haja condenações, o colegiado segue para a fase de dosimetria, em que são calculadas as penas individualmente. Na semana passada, foram concluídas as sustentações orais da Procuradoria-Geral da República, responsável pela acusação, e das defesas dos réus.

Wladimir Matos Soares é apontado nas investigações como integrante do núcleo que teria discutido ações extremas, inclusive um suposto plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, conforme denunciado pela PGR. Sua presença no julgamento reforça o interesse regional no caso, já que envolve um agente federal natural da Bahia.

São réus no processo: Bernardo Romão Corrêa Netto, Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Fabrício Moreira de Bastos, Hélio Ferreira Lima, Márcio Nunes de Resende Jr., Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo, Ronald Ferreira de Araújo Jr., Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e Wladimir Matos Soares. O resultado das sessões desta semana deve repercutir em todo o país, definindo responsabilidades e eventuais punições a um grupo acusado de atentar contra a ordem democrática.