Levantamento divulgado após a detenção do ex-presidente mostra o petista à frente em todos os cenários de segundo turno, enquanto a direita ainda tenta reorganizar sua liderança.

A primeira pesquisa de intenções de voto divulgada após a prisão de Jair Bolsonaro redesenhou o tabuleiro político e confirmou que, apesar da turbulência, Luiz Inácio Lula da Silva segue como principal força na disputa pela Presidência em 2026. O levantamento, realizado entre 19 e 23 de novembro, já captou parte da repercussão imediata da detenção do ex-presidente, ocorrida no dia 22, e mostra Lula liderando com folga todos os cenários simulados de segundo turno.

Mesmo em um ambiente de forte instabilidade e com a oposição ainda atônita diante da prisão de seu maior líder, o presidente mantém vantagem contra todos os adversários testados. O confronto mais apertado é contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, enquanto a maior diferença aparece na disputa contra Eduardo Bolsonaro. O estudo também revela que Lula lidera nas simulações de primeiro turno, reforçando seu favoritismo no início da corrida eleitoral.

A pesquisa aponta um eleitorado polarizado e com altos índices de rejeição aos dois principais polos. Bolsonaro lidera esse índice, enquanto Lula aparece em segundo, o que evidencia o desgaste acumulado das últimas disputas. Ainda assim, o petista se mostra competitivo em todos os cenários e mantém distância segura de possíveis adversários.

A prisão de Bolsonaro aprofundou a incerteza no campo conservador, que agora aguarda uma definição interna sobre quem assumirá o papel de candidato capaz de mobilizar o eleitorado bolsonarista. A falta dessa referência, combinada com o impacto jurídico e político da detenção, fortalece momentaneamente a posição de Lula.

Embora a pesquisa reafirme a vantagem do presidente, o cenário ainda é considerado aberto por analistas. O crescimento do número de eleitores que afirmam não se identificar com nem Lula nem Bolsonaro pode abrir espaço para uma alternativa fora da polarização tradicional. Resta saber se algum nome conseguirá ocupar esse espaço e se consolidar até o início oficial da campanha.

O levantamento, com 2.002 entrevistas e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, oferece o primeiro retrato do pós-prisão de Bolsonaro e indica que, por ora, Lula inicia a caminhada rumo a 2026 em posição privilegiada — enquanto a oposição tenta se reorganizar em meio ao maior abalo político de seu líder desde 2018.