Pensar grande e provocar o futuro, foi o objetivo do Fórum histórico, que expos o potencial do sertão, cobrou coragem política e denunciou o abandono dos governos estadual e federal

Na última quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, Macaúbas viveu um momento significativo para sua trajetória recente. O 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico e Social representa uma iniciativa concreta da atual gestão municipal, conduzida por um prefeito de perfil empreendedor, com visão de futuro e disposição política para enfrentar obstáculos históricos que, há décadas, limitam o desenvolvimento do município e de todo o Vale do Paramirim.

A proposta do fórum partiu de uma constatação simples e, ao mesmo tempo, incômoda de que potencial existe, e muito. O que sempre faltou foi união de forças, planejamento sério, debate qualificado, amadurecimento das ideias e, sobretudo, ação. A atual gestão decidiu romper com a lógica da espera passiva por ajuda externa e colocar Macaúbas no centro das discussões sobre o próprio destino, apostando em iniciativas corajosas, desbravadoras e inovadoras.

O debate sobre geração de emprego e renda ganhou destaque por traduzir, de forma prática, o que significa desenvolvimento para quem vive no sertão. Não se trata apenas de números ou estatísticas, mas de oportunidades reais para que a população possa trabalhar, empreender, permanecer em sua terra e construir uma vida com mais estabilidade. A gestão municipal deixou claro que emprego não nasce por acaso, é resultado de planejamento, ambiente favorável aos negócios, qualificação da mão de obra e políticas públicas que conectem o trabalhador ao mercado.

Nesse contexto, a atualização do Plano Diretor foi apresentada como uma ferramenta indispensável para organizar o crescimento da cidade. Um município que cresce sem regras claras paga um preço alto no futuro, com desigualdades, ocupações desordenadas e serviços públicos sobrecarregados. Rever o Plano Diretor significa preparar Macaúbas para expandir de forma inteligente, equilibrada e sustentável, garantindo que o desenvolvimento não beneficie apenas poucos, mas alcance a maioria.

Entre as ideias que mais simbolizam a visão futurista da atual gestão está a proposta de implantação de um Distrito Industrial e Logístico. A iniciativa parte do entendimento de que Macaúbas e a região produzem, têm vocação econômica e localização estratégica, mas nunca receberam a estrutura necessária para transformar esse potencial em riqueza local. Um distrito planejado representa atração de investimentos, instalação de empresas, geração de empregos formais e fortalecimento da economia regional, rompendo com a dependência histórica de modelos econômicos frágeis e assistencialistas.

O planejamento urbano também foi tratado como prioridade, não apenas como uma questão técnica, mas como um fator direto de qualidade de vida. Pensar a cidade antes que os problemas se agravem é um ato de responsabilidade política. Mobilidade, infraestrutura, ordenamento dos bairros e acesso aos serviços precisam acompanhar o crescimento populacional e econômico, evitando que o avanço se transforme em caos urbano.

Outro ponto relevante foi o debate sobre governo digital. A modernização da gestão pública surge como aliada da eficiência, da transparência e da redução da burocracia. Para uma cidade do interior, digitalizar serviços significa economizar tempo, recursos e deslocamentos, além de aproximar o cidadão das decisões públicas e melhorar a capacidade de planejamento da administração municipal.

Talvez o tema mais sensível e urgente discutido no fórum tenha sido a necessidade de implantação de um Centro de Hemodiálise em Macaúbas. A proposta vai além da saúde local e assume dimensão regional. Pela posição estratégica do município, um centro desse porte teria capacidade de atender pacientes de todo o Vale do Paramirim e cidades vizinhas, poupando famílias do sofrimento diário de longas viagens e garantindo mais dignidade a quem depende de um tratamento contínuo e exaustivo. É uma demanda humanitária, atual e inadiável, que expõe a desigualdade histórica no acesso à saúde especializada no sertão.

Apesar da clareza das propostas e da força do debate, o fórum também evidenciou um problema estrutural que não pode mais ser ignorado que é a ausência de apoio efetivo dos governos estadual e federal. Ficou explícito que Macaúbas e a região não recebem os incentivos necessários para avançar. A falta de investimentos estratégicos, de políticas estruturantes e de apoio institucional revela, na prática, um desinteresse pela emancipação econômica e social do interior. O sertão segue sendo visto como periferia política, quando poderia ser protagonista do próprio desenvolvimento.

O 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico e Social mostrou que a atual gestão municipal decidiu não aceitar mais esse papel secundário. Ao provocar o debate, reunir diferentes setores e lançar ideias ousadas, Macaúbas dá um recado claro de que o futuro não será fruto da espera, mas da coragem de planejar, agir e enfrentar resistências. O que se desenha a partir desse encontro é a possibilidade real de uma revolução silenciosa, construída com trabalho, visão e determinação, para garantir mais dignidade, empregos, serviços essenciais e esperança para quem vive no sertão baiano.