A criação do Comitê Gestor do novo imposto nacional, o IBS, sem dar sequer uma cadeira aos Municípios, é um tapa na cara da democracia. É o retrato de um Brasil que ainda insiste em ser centralizador, injusto e excludente
Os Municípios, onde a vida realmente acontece, são a base de tudo: é onde nascem os filhos, onde estudam, onde adoecem, onde votam, onde sonham, onde se trabalha, de onde são recolhidos os impostos. Mas mesmo sendo o coração pulsante do Brasil, as cidades seguem abandonadas no canto da sala, como se não tivessem valor.
Prefeitos e prefeitas são os primeiros a ouvir o povo, a socorrer quem precisa, a manter escola aberta, posto funcionando, estrada trafegável. Mas, na hora de decidir onde vai o dinheiro dos impostos que são pagos nas cidades, eles são ignorados. A criação do Comitê Gestor do novo imposto nacional, o IBS, sem dar sequer uma cadeira aos Municípios, é um tapa na cara da democracia. É o retrato de um Brasil que ainda insiste em ser centralizador, injusto e excludente.
Enquanto isso, os gestores locais rodam Brasília com o pires na mão, mendigando por emendas, implorando por migalhas. Isso é humilhante. Isso é cruel. Isso não é justo! Não dá mais pra aceitar que quem arrecada seja tratado como figurante. Que o dinheiro saia das cidades e fique preso nas mãos de poucos. Isso não é pacto federativo. Isso é um pacto de silêncio e submissão.
A decisão da CNM de romper com esse modelo é um grito, um grito de socorro e de dignidade. Ou o Brasil respeita os Municípios, ou continua afundando num sistema desigual, onde poucos decidem por muitos. Chega! O povo vive nas cidades. E é nas cidades que tem que começar a mudança. Justiça fiscal só existe com justiça federativa. E justiça federativa começa quando os Municípios param de ser ignorados e passam a ser ouvidos, respeitados, valorizados.
Porque onde nasce o imposto, tem que nascer também o poder de decisão.
