A vaidade política transforma alguns mandatos em palcos de arrogância, mas a história insiste em lembrar que todo governo é passageiro e o trono é emprestado
A vaidade tem sido o veneno de muitos prefeitos no sertão, eleitos para servir, alguns rapidamente esquecem o povo e passam a acreditar que a caneta lhes concede eternidade. Cercados de bajuladores, embriagados pelo falso brilho do cargo e sustentados por uma arrogância frágil, confundem mandato temporário com trono vitalício, nada é mais ilusório.
A cadeira de prefeito não é herança de família, tampouco um trono fixo é apenas uma cadeira emprestada pelo tempo e o tempo não é leal a ninguém. Ainda assim, multiplicam-se gestores que tratam a prefeitura como propriedade pessoal, usam o poder para projetar parentes despreparados como sucessores e enxergam a máquina pública como extensão de seus caprichos.

A ingratidão se torna marca registrada, aliados que ajudaram na caminhada são esquecidos e até descartados, substituídos por aduladores de ocasião. O medo de perder o cargo corrói a lucidez, gera excesso de controle e uma obsessão doentia por ser lembrado como “grande líder”. Mas quanto maior a sede de eternidade, mais rápida costuma ser a queda.
A história não perdoa arrogantes. Alexandre, César, Napoleão, todos tombaram. Por que prefeitos de cidades pequenas do nosso sertão acreditam que escaparão da regra universal da transitoriedade? O povo muda, a opinião pública oscila e nenhum castelo de vaidade resiste à marcha do tempo.
Exemplos recentes no Brasil mostram que fortuna, influência e soberba não impedem a derrota nas urnas. O eleitor pode até ser enganado por um tempo, mas não para sempre. No fim, só fica registrado quem trabalhou de verdade. Quem governou apenas para si será esquecido na mesma velocidade em que subiu ao palanque.

Prefeitos precisam entender, poder não é propriedade, é empréstimo. O cargo não é prêmio, é responsabilidade. E quem insiste em confundir bajuladores com aliados leais terá como destino o esquecimento. Porque ninguém governa para sempre e o tempo, esse juiz implacável, não governa para ninguém.

No fim, o trono vira cadeira vazia, e só o povo decide quem se senta novamente.
