Disputa pelas vagas ao Senado acirra tensões entre aliados e revela nova fase de rearranjos no grupo governista
A corrida pelas duas cadeiras baianas no Senado em 2026 abriu uma disputa silenciosa e estratégica dentro do grupo político que comanda a Bahia há quase 20 anos. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao defender o uso de pesquisas de opinião como critério para definir os candidatos da base, transformou uma conversa interna em tema de debate estadual. A proposta, anunciada em entrevista a uma rádio do interior, busca legitimar a escolha pela “voz do povo”, mas também evidencia o principal trunfo do ministro: sua liderança nas sondagens mais recentes.
A reação foi imediata. O senador Angelo Coronel (PSD), que tenta viabilizar a reeleição, sugeriu que as pesquisas sejam feitas entre prefeitos, campo em que sua influência é maior. A ideia soou como um contragolpe político, deslocando o debate do eleitorado geral para o terreno institucional. Já o senador Jaques Wagner (PT), ex-governador e figura central na engrenagem petista, mantém postura cautelosa. Embora evite se posicionar, o avanço das articulações torna cada vez mais difícil sustentar a neutralidade.
O impasse ocorre num momento em que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) busca consolidar sua reeleição e preservar a unidade entre PT e PSD aliança essencial para conter o avanço da oposição liderada por ACM Neto (União Brasil). A definição dos nomes para o Senado, portanto, vai além da disputa individual, é um teste de força e convivência dentro do grupo que governa o estado.
No sudoeste baiano, região decisiva em votações majoritárias, o debate ganha atenção especial. Cidades como Jequié, Vitória da Conquista, Guanambi, Brumado e os municípios do Vale do Paramirim, observam de perto o embate entre lideranças, enquanto o discurso de Rui Costa, de “deixar o povo escolher” encontra eco em um eleitorado que valoriza a proximidade e desconfia de arranjos de gabinete.
Em meio à disputa, o presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto, reforçou o apoio ao ministro e o desejo do partido de integrar a chapa majoritária. Durante a Exposibram 2025, em Salvador, ocorrida nesta quarta-feira (29), Carletto afirmou que “Rui Costa desponta como o primeiro e o mais bem avaliado pelo povo da Bahia”, defendendo o petista como nome natural ao Senado. Segundo ele, o AVANTE quer participar das decisões da base, priorizando “projetos e diálogo” em vez de cargos.
O debate sobre critérios de escolha, mais do que definir nomes, expõe o dilema central do grupo governista: equilibrar hegemonia e conciliação para manter o poder em 2026.
