Investigação detalhada revela modus operandi de pessoas que criaram páginas anônimas para atacar autoridades e servidores, inquérito envolveu consultas a operadoras de celular, a Meta e outras empresas da área
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Um trabalho minucioso da Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Rio de Contas, com apoio do Departamento de Inteligência Policial de Salvador, que atuaram arduamente ao longo de quatro meses, trouxe à tona a verdadeira autoria de uma rede de perfis falsos que, por meses, espalhou fake news, calúnias e difamações contra autoridades, servidores públicos e instituições locais. Após meses de apuração, o Termo Circunstanciado já foi encaminhado ao Judiciário.
Segundo os autos, os responsáveis adotaram uma estratégia ardilosa: criaram páginas sequenciais no Instagram com o título “O Rio Contense” (versões 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0), sempre que um perfil era suspenso ou denunciado. As páginas imitavam um veículo jornalístico, com postagens que aparentavam ser denúncias da população. Porém, muitas delas eram alimentadas com informações internas da gestão municipal, que eram distorcidas e reforçadas com comentários ofensivos, feitos pelos próprios administradores, para dar ares de credibilidade.
O relatório policial descreve que caixas de mensagens anônimas eram utilizadas para atrair supostos relatos de cidadãos, mas, na prática, os próprios administradores publicavam e repercutiam conteúdos difamatórios. Em diversas ocasiões, ao serem confrontados, os investigados ainda tentavam inverter a narrativa, registrando boletins de ocorrência em outras cidades, alegando serem vítimas de perseguição, ameaças ou até de supostos “hackeamentos” em seus perfis, numa clara tentativa de confundir a investigação e a opinião pública.
O prefeito Célio Evangelista da Silva, principal denunciante, foi alvo de acusações sem provas de desvio de recursos dos cofres municipais em apenas quatro meses de gestão. Além dele, a servidora pública Ângela Guedes também figura como vítima central, sendo atacada diretamente em postagens que a expunham com acusações falsas de irregularidades e perseguição política. A equipe de saúde do hospital municipal, foi igualmente difamada, com insinuações infundadas de negligência em um caso de óbito recente. Outros servidores, como coordenadores de setores e profissionais ligados ao CRAS, também tiveram seus nomes expostos e reputações manchadas injustamente.
As investigações lideradas pela delegada Izabel Ciuffo Sento-Sé Reis, contaram com o empenho de sua equipe e do investigador João Paulo Bitencourt Lima, que reuniu provas documentais, registros digitais, depoimentos de servidores e até prints técnicos validados por plataformas de auditoria digital. Para tanto, foram oficiadas e consultadas operadoras de telefonia celular, a empresa Meta, proprietária do Instagram e outras companhias da área de tecnologia, que auxiliaram na confirmação das autorias e na análise dos vínculos entre os perfis.
Outro ponto destacado no relatório é o padrão de comportamento dos administradores das páginas, além de replicarem informações com viés político e pessoal, também recorriam a narrativas de vitimização, tentando se eximir da culpa ao alegar perseguição política, quando, na verdade, eram eles os ofensores.
O Grupo O Eco de Comunicação, que já enfrentou ataques semelhantes em anos anteriores, enalteceu a firme atuação da Polícia Civil, do prefeito e dos servidores que tiveram coragem de denunciar. O jornal destacou que a desinformação corrói a democracia e que não pode ser tolerada, mesmo em pequenas cidades do interior.
O Termo Circunstanciado de Ocorrência nº 19502/2025, acompanhado de farta documentação e provas digitais, foi remetido ao Juízo da Vara Criminal da Comarca de Livramento de Nossa Senhora, onde aguarda decisão judicial. A expectativa é que os responsáveis sejam punidos exemplarmente, restando demonstrado que a internet não é terra sem lei.
