Penalizados com multas por realizarem os eventos juninos no período de estiagem, gestores dividem opiniões sobre o futuro das tradicionais festas populares.
A mais recente multa aplicada esta semana ao prefeito de Ibipitanga, por ter este realizado o tradicional São João dentro do período de estiagem, fato ocorrido no ano de 2015 e que teve seu desdobramento nos dias atuais, vem provocando uma série de debates sobre o que será definido quanto à permanência das realizações festivas de São João, mesmo após o fim da pandemia. Os gestores temem novas sanções, pois praticamente todas as cidades do sertão, em especial do sudoeste baiano, enfrentam os períodos mais secos do ano, exatamente nos meses de junho e julho, o que obriga a decretação de estado de emergência, fato que tem sido motivo de denúncias para que não sejam realizadas as principais festas públicas deste pedaço do sertão.
A grande incógnita que passa a preocupar prefeitos e demais autoridades municipais, bem como todos os setores do comércio que anseiam pelo retorno destas atividades, é a interpretação dos órgãos fiscalizadores quanto à decretação da situação de emergência, no período de seca, quando o comprometimento na realidade é parcial, a crise é menos grave e ainda não afetou a população. No entanto, as denúncias geralmente formuladas por oposicionistas derrotados nas eleições e que buscam prejudicar quem está gerindo o município, tentam fazer crer, que se trata do decreto de estado de calamidade, quando o comprometimento é substancial, sendo a crise mais grave e já com efeitos sobre os cidadãos. Ou seja, no entendimento dos gestores que defendem a realização dos eventos como uma das principais fontes de renda para seus municípios, a decretação de emergência hídrica, não afeta a realização das festas. Fato que não é visto dessa forma pelos denunciantes.
Apesar de ainda não termos sequer uma previsão definida sobre o fim da pandemia e o consequente retorno das tão importantes festas populares, já existe a decisão de alguns gestores em não realizarem tais eventos, enquanto não tiverem a segurança de que essas divergências já estarão sanadas e que os mesmos não serão punidos por proporcionarem o lazer e oportunidades de aquecimento da economia local através dos grandes festejos que movimentam milhões em praticamente todos os municípios do interior baiano. A punição em consequência da realização das festas juninas tem se tornado muito comum, diversos gestores de municípios foram autuados, à exemplo de Ibicoara, Piritiba, Esplanada, Itaberaba e Ibipitanga, nas contas referentes aos anos de 2013 a 2015.
Para o prefeito de Ibipitanga Humberto Raimundo – Beto (PDT), que já anunciou sua decisão de recorrer da multa e questiona-la junto ao TCM, será necessário inclusive ouvir a sociedade sobre esse assunto, pois ele entende que o São João é uma das festas mais populares do Nordeste e mais do que um símbolo da cultura popular de sua terra. “Estou disposto a ouvir a população sobre a realização ou não dos festejos futuros, pois o denunciante, que todos sabem quem é, não está preocupado com a economia, com os empregos e a geração de renda que os festejos juninos também promovem em nossa cidade. Além de nos assegurarmos de que não seremos punidos por tentar fazer as festas para todos, iremos ouvir o povo, se a maioria disser que estivemos equivocados sobre os inúmeros benefícios que enxergamos na realização do nosso São João, a gente não realiza mais”. Desabafou o gestor.
“O que se pode afirmar sobre esse assunto, é que estamos prestes a ficar sem a maior festa do ano, muito maior que réveillon, carnaval ou qualquer outro evento. Quando se aproxima o São João, nossa cidade entra em ebulição! Desde a montagem do arraiá na praça, onde milhares de pessoas circulam durante as noites de evento, o comércio local já sente o incremento nas vendas, o São João dá resultados melhores do que o Natal, é a data mais importante para economia local. Tanto para o comércio quanto para o setor de serviços e a gente estima que a não realização anual, em consequência da perseguição de um político recalcado que torce pelo quanto pior melhor, provocaria uma inestimável perda de recursos, dinheiro que deixará de circular na cidade pela não realização da festa”. Externou indignado um dos Coordenadores do Evento.