População reage com indignação às manobras desesperadas do vereador cassado, que tenta se manter no poder a qualquer custo

A política do sertão voltou a viver dias turbulentos em Tanque Novo. Na última segunda-feira (4), um ato considerado por muitos como afronta direta à ordem institucional abalou os corredores e a Sala das Sessões da Câmara Municipal. O protagonista, o vereador cassado Cleiton Vieira, apelidado nos bastidores de “o homem do pix”  que, ignorando por completo a autoridade da Mesa Diretora, assumiu a cadeira da presidência e conduziu, à sua maneira, uma “sessão paralela”.

Cleiton, que já teve seu mandato cassado na 1ª instância pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob acusação de compra de votos, contou com o apoio de cinco vereadores ligados ao atual prefeito. A movimentação, descrita por adversários como “desesperada”, ocorreu num momento em que as bancadas no Legislativo local, estão divididas entre integrantes da oposição e apoiadores da gestão municipal. Essa situação transitória tende a se modificar, assim que definida a saída de Cleiton, assumindo o suplente, suponhe-se que a oposição voltará a ter maioria na casa legislativa.

A ousadia do ato é tamanha, que a “sessão” ocorreu no mesmo dia em que estava programada uma solenidade oficial da Casa, voltada ao lançamento da campanha Agosto Lilás e à entrega de certificados aos novos Conselheiros de Cultura. A pauta do dia era clara: não haveria expediente legislativo. Ainda assim, após ter um requerimento negado, no qual tentava incluir, de última hora, dois projetos próprios, Cleiton simplesmente passou por cima das regras. Convocou por conta própria a reunião e conduziu os trabalhos como se fosse presidente legítimo da Casa, numa encenação que, embora com aparência de rito, carecia de qualquer respaldo legal.

O episódio chama atenção não apenas pela ilegalidade, mas pela transformação repentina do vereador. O mesmo Cleiton que, até semanas atrás, denunciava na tribuna práticas como nepotismo cruzado, favorecimentos e falta de transparência na gestão municipal, agora atua em plena sintonia com o grupo do prefeito. As denúncias antes inflamadas foram esquecidas, e a artilharia passou a ser voltada exclusivamente contra seus próprios colegas do Legislativo.

Para muitos, trata-se de uma manobra para manter-se no cargo, custe o que custar. A cena de um vereador cassado comandando, de forma truculenta, a cadeira da presidência, atacando opositores e ignorando a liturgia do Parlamento, foi descrita por presentes como um “atentado à democracia local”. Juristas e lideranças políticas do município consideram que a ação fragiliza a imagem da Câmara e ameaça o equilíbrio entre os poderes.

O caso agora deve atrair a atenção do Ministério Público e da Justiça Eleitoral, que podem ser acionados para apurar não apenas a condução ilegal da sessão, mas também as novas acusações proferidas pelo vereador, que terá de provar cada palavra dita. Tanque Novo, acostumada a embates políticos acalorados, talvez tenha presenciado, nesta semana, um dos episódios mais esdrúxulos da disputa pelo controle do poder local: um vereador cassado, apoiado por aliados do Executivo, tentando transformar o Parlamento em palco particular.

O desfecho dessa crise ainda é incerto, mas uma coisa é clara: a credibilidade das instituições está em jogo, e a população, mais uma vez, aguarda posições firmes, para que a política não se misture a estratégias de sobrevivência pessoal.