É triste, pe lamentável e muito preocupante a atual situação da seca em nosso estado e mais particularmente no nosso Vale do Paramirim. há anos não se vê um cenário estarrecedor. A falta de chuva e até de previsão, incomoda, faz sofrer e começa a tirar o sono dos agricultores e de todas as famílias desta região do nosso sertão baiano.
Gostaria de abordar nesse espaço, um assunto que desse prazer e que ao mesmo tempo fosse alvissareiro para baianos e brasileiros. Mas, ao contrário, vou me reportar a algo que desde o século XVIII é assunto governamental e motivo de bravatas por aqueles que estão no poder.
“Venderei até a última joia da coroa, mas solucionarei o problema da seca no Nordeste”, afirmou o Imperador D. Pedro II nos idos de 1850. Mais de um século e meio depois, infelizmente, tudo continua do mesmo jeito, senão pior.
Desmatamos, assoreamos, cresce a população e com a civilidade, crescem também as suas exigências por mais água e nada de efetivo, palpável e forte é feito, pelos menos aqui na Bahia, para combater esse flagelo, a seca, que de tempos em tempos aflige a nossa população. Ao contrário, sangra-se o São Francisco, para estados irmãos de pobreza e sofrimento (justo ?), enquanto a 10-15 quilômetros de suas margens o sertanejo passa sede e ver sua criação morrer a berrar esturricada, sem que ele nada possa fazer, pois uma carro de água chega a custar R$ 150,00.
Agora, para aumentar ainda mais o sofrimento desse povo, os caminhões pipa “do Exercito”, se não pararam totalmente, reduziram as viagens, já que os recursos foram contingenciados ou chegam aos pingos.
As barragens existentes, como é o caso do ZABUMBÃO no Vale do Paramirim, já agonizam, numa situação nunca antes vista. Aí vem o governador e quer levar água para mais cidades, fica a pergunta: Tirar de Onde? se o Zabumbão está secando?
Se não bastasse o flagelo da seca, com ele chegam as doenças dela decorrentes, que chegou para aumentar a morbidade e mortandade entre os baianos.
A mortalidade é apenas um centésimo nas estatísticas oficiais, porém é fortemente aflitiva para as famílias que vêm um ente querido morrer de uma doença que já poderia ter deixado de existir.
Esse é o quadro que vivemos, quando o Brasil passa a ser a 6.ª Economia do Mundo, o que não se traduz em melhoria da condição de vida para os mais carentes.
Há anos cantava Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira que “a esmola a um homem são ou ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão''.
