
No estilo "atirem a primeira pedra quem não tiver culpa no cartório", o governador Rui Costa (PT) afirmou que desconhece um partido brasileiro que não tenha recebido dinheiro das empresas citadas na Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras. "Qual partido político no Brasil não recebeu dinheiro das empresas que estão sendo investigadas? Eu mesmo não conheço nenhum".
A declaração foi dada a jornalistas. em Salvador. Ao ser questionado sobre o fato de integrantes de partidos da sua base aliada constarem na relação de suspeitos envolvidos no esquema apelidado de "Petrolão"- entre eles, o seu vice, João Leão (PP) – o governador optou pela estratégia de partir para o ataque, enfatizando a oposição: "O DEM recebeu (dinheiro) em 2006, 2008 e 2012, assim como o PSDB, o PMDB e também o PT, pois todos receberam", afirmou.
Rui Costa engrossou o discurso de que a origem da corrupção investigada atualmente na Petrobras está no modelo de financiamento de campanha. "O cordão umbilical desse modelo de financiamento é o responsável pela maior parte dos casos de corrupção em nosso país". E completou: "Tudo começa na campanha e acaba sendo continuado por aqueles que têm intenção de enriquecimento ilícito, ou seja, de se beneficiar da relação constituída formalmente como doação de campanha".
O governador disse ainda que o Congresso Nacional deveria aproveitar a crise deflagrada pela Operação Lava Jato para fazer uma reforma política com urgência do país, revendo a questão do financiamento de campanha. "É uma questão que precisa ser vista com urgência, separando os financiadores de campanha dos políticos, sejam eles parlamentares ou integrantes do Executivo". Rui também alertou para a insegurança causada no cenário econômico. "Se não mudarmos esse modelo, a todo instante teremos escândalos do tipo, abalando a imagem político-econômica do país, afastando os investidores".

Cara a cara
O governador revelou, entretanto, que Leão foi bastante veemente, ao se declarar inocente em telefonemas realizados entre eles, logo após a divulgação da lista pelo Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira. Mas, hoje, a conversa será cara a cara.
"Eu continuo confiando nele", disse Rui, assegurando que Leão deve ser mantido normalmente à frente da pasta de Planejamento, durante as investigações.
O governador tem se mantido firme na defesa do aliado político, e afirma que foi pego de surpresa com a inclusão de João Leão entre os suspeitos. "Até então, o nome dele não constava entre os integrantes do PP cogitados de envolvimento no esquema, daí porque pegou a todos de surpresa"
