Pesquisas da semana revelam um Brasil eleitoralmente dividido, com Lula ainda na liderança nacional, Flávio Bolsonaro reduzindo espaços e uma disputa cada vez mais dependente do comportamento dos maiores colégios eleitorais
A menos de um mês das eleições, o mapa eleitoral brasileiro começa a mostrar com maior clareza onde estão as forças e as dificuldades dos principais candidatos à Presidência. Lula continua liderando nacionalmente, com 38 por cento das intenções de voto no Datafolha, contra 33 por cento de Flávio Bolsonaro. A vantagem existe, mas está longe de representar uma eleição definida.
O Nordeste continua sendo a principal força de Lula. O presidente alcança 53 por cento na região, enquanto Flávio registra 22 por cento. São 31 pontos de diferença, uma vantagem expressiva que ajuda a explicar por que Lula permanece na frente no cenário nacional.
No Sul, o quadro se inverte. Flávio Bolsonaro avançou de 38 para 44 por cento, enquanto Lula caiu de 33 para 25 por cento. A região tornou se uma das principais bases eleitorais do candidato do PL e ajuda a compensar parte da grande vantagem construída pelo petista no Nordeste.
No agrupamento formado pelo Norte e Centro Oeste, Flávio também aparece numericamente à frente, com 39 por cento contra 33 por cento de Lula. Como a margem de erro dos recortes regionais é maior, esses números precisam ser observados com cautela, mas reforçam a existência de um país eleitoralmente dividido.
É no Sudeste, porém, que está o ponto mais importante dessa disputa. Lula aparece com 36 por cento e Flávio com 34 por cento, tecnicamente empatados. Na rodada anterior, Flávio tinha 36 e Lula 33. Houve uma inversão numérica, mas nenhum dos dois conseguiu estabelecer vantagem segura.
Para entender essa eleição de maneira simples, basta olhar o mapa. Lula consegue abrir grande distância no Nordeste. Flávio responde com vantagem no Sul e aparece competitivo no Norte e Centro Oeste. No Sudeste, onde está a maior concentração de eleitores do país, os dois praticamente se igualam. É justamente por isso que essa região tende a assumir papel decisivo.
Os levantamentos mais recentes de outros institutos também mantêm Lula na liderança do primeiro turno, embora apresentem percentuais diferentes. Quando a pesquisa testa um eventual segundo turno, entretanto, a distância entre os dois geralmente diminui e alguns cenários apontam equilíbrio estatístico. A eleição, portanto, continua aberta.
A comparação com 2022 também chama atenção. Em período semelhante daquela campanha, Lula possuía no Datafolha uma vantagem maior sobre Jair Bolsonaro. Agora, diante de Flávio, a distância nacional é de cinco pontos. Isso não permite antecipar o resultado das urnas, mas demonstra que a atual disputa chegou a setembro bastante competitiva.
Se essas tendências permanecerem, a próxima semana será especialmente importante. Lula precisará preservar sua enorme vantagem no Nordeste e buscar crescimento fora de sua principal base, especialmente no Sudeste. Flávio terá como desafio manter o avanço no Sul, continuar competitivo no Norte e Centro Oeste e tentar recuperar a dianteira entre os eleitores do Sudeste.
É nessa região que poderá acontecer o movimento mais importante das próximas pesquisas. Se Lula transformar o atual empate no Sudeste em vantagem consistente, poderá aumentar novamente sua distância nacional. Se Flávio fizer o movimento contrário, os cinco pontos que hoje os separam poderão diminuir rapidamente.
Pesquisa eleitoral não determina o resultado das urnas. Ela registra o sentimento dos entrevistados naquele momento. Mas a fotografia deste início de setembro deixa uma mensagem bastante clara. Lula continua na frente, sustentado principalmente pela enorme vantagem nordestina. Flávio Bolsonaro consolidou uma força importante em outras regiões e permanece suficientemente próximo para manter a eleição aberta.
O Brasil chega, assim, à reta decisiva com dois mapas eleitorais bastante diferentes. E, mantidas as tendências atuais, a corrida presidencial tende a ficar ainda mais apertada nas próximas rodadas.
