
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a 11ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "A Origem". Os ex-deputados federais André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA) estão entre os presos preventivamente. Assessores dos dois políticos também foram presos. Todos serão levados para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).
Vargas e Argôlo foram os primeiros parlamentares flagrados pela Polícia Federal em conversas nebulosas com o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do petrolão, a partir de interceptações telefônicas autorizadas pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.
Moro solicitou ao Supremo Tribunal Federal a transferência para um presídio em Curitiba do mensaleiro Pedro Corrêa, também alvo de prisão preventiva na Lava Jato. Ele cumpria pena do mensalão em regime semiaberto em Pernambuco.
O juiz também decretou a prisão temporária do irmão de Vargas, Leon Vargas, Ricardo Hoffmann e Eliza Santos da Hora. Os alvos de condução coercitiva são, entre outros, Marcelo Simões e Edilaira Soares Gomes.
A pedido da PF, Moro determinou o sequestro de um imóvel de alto padrão em Londrina. Cerca de oitenta policiais federais foram mobilizados para cumprir 32 mandados da Justiça Federal: sete de prisão, nove de condução coercitiva e dezesseis de busca e apreensão no Paraná, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.Além das fraudes na Petrobras, esta fase da Lava Jato tem como alvo acusados de desvios em outros órgãos públicos federais, segundo a PF.
Os investigadores já haviam encontrado indícios de que André Vargas tinha se associado a Youssef para fazer lobby no Ministério da Saúde, em prol do laboratório Labogen, que firmava um convênio avaliado em cerca de 135 milhões de reais com um laboratório da Marinha. Em uma mensagem de aplicativo Blackberry, Youssef disse a Vargas, que fazia lobby no ministério: "Você vai ver o quanto isso vai valer, tua independência financeira. E nossa também, é claro".
A nova fase da Lava Jato foi deflagrada após o Supremo Tribunal Federal remeter à primeira instância inquéritos que tramitavam na corte por envolver suspeitos com foro privilegiado. As investigações apuram os crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência que teriam sido praticados por três grupos de ex-agentes políticos.
Prisão de Argolo assombra mundo político baiano
Quando a operação da Polícia Federal estourou, no ano passado, momento em que ainda desfrutava do mandato, foram muitos os conselhos de colegas para que renunciasse.
A notícia da prisão do ex-deputado federal Luiz Argolo (Solidariedade) pela Operação Lava Jato, em sua 11ª edição, empanou, nesta sexta-feira, o início do final de semana de muitos baianos, especialmente de políticos. Principalmente por causa do amplo trânsito que Argolo possuía no círculo do poder na Bahia, frequentando gente importante até que as investigações da própria Lava Jato revelaram suas conexões profundas com o doleiro Alberto Yousseff, a partir de quem as apurações começaram.
Argolo é hoje primeiro suplente de deputado federal. Quando a operação da Polícia Federal estourou, no ano passado, momento em que ainda desfrutava do mandato, foram muitos os conselhos de colegas para que renunciasse. Resistiu, entretanto, revelando confiança em que tinha “costas quentes”. Como deputado, disputou a reeleição para a Câmara. E teve uma votação surpreendente para quem se encontrava na situação de suspeito sob a mira potencial da Polícia e do Ministério Público Federal.
Um sinal, segundo muitos, de que fora muito ajudado na campanha. E por gente grande. É essa turma, principalmente, que teme por Argolo na prisão. Receiam que celebre um acordo de delação premiada e conte tudo que o que sabe e assistiu. Na Bahia e em Brasília. Quem tinha relações políticas e empresariais nada republicanas com Argolo tem motivos mesmo para assombro. Os que estiveram com ele antes da prisão, depois de tanto tempo sob a chuva, acham que dificilmente o ex-deputado não abrirá o bico.
