Aprovação do governo de Dilma Rousseff fica estável em pesquisa

Manifestantes fizeram protestos contra o governo de Dilma Rousseff e contra a corrupção em ao menos 220 cidades em 24 estados e no Distrito Federal neste domingo.
Os números de manifestantes – 700 mil, segundo a polícia, ou 1,5 milhão, segundo os organizadores – foram menores do que nos atos de 15 de março.
Em São Paulo, o cofundador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, comentou a baixa nas estimativas de público: "Ainda que tenha tido menos pessoas, para a gente, é mais importante fazer protestos localizados do que reunir todo mundo em um só lugar".
 
Manifestantes tomam Orla de Maceió em protesto contra a corrupção no país (Foto: Lucas Leite/G1)
 
As palavras de ordem de hoje foram as mesmas do último grande protesto: contra a corrupção, o governo e o PT. Mas desta vez todos os principais movimentos, entre eles o Vem Pra Rua, pediram a saída da presidente Dilma Rousseff. Em 15 de março, nem todos falavam em impeachment.
"Nós não éramos a favor [do impeachment] naquele momento porque não achávamos que havia argumento jurídico suficiente ainda. […] De lá para cá várias teorias jurídicas novas surgiram, inclusive algumas usando a ação de crime comum para investigação da presidente", disse Rogerio Chequer, representante do Vem Pra Rua em São Paulo, ao jornal "Valor Econômico".
 
Manifestantes soltam balões nas cores verde e amarelo durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)
 
Também foram registrados atos em outros países, como na Alemanha, Irlanda e em Portugal.
Ao longo de todo o dia, ao menos 220 cidades registraram atos contra Dilma e a corrupção em 24 estados e no DF.
BAHIA
Capital – PARTICIPANTES: 4 mil, segundo a polícia; 10 mil, segundo os manifestantes.
As pessoas se reuniram no Farol da Barra, em Salvador, às 9h. Com a chegada de um novo grupo, que saiu do Porto da Barra, foi iniciada uma caminhada em direção ao Cristo, onde o protesto chegou pouco antes das 12h, sob chuva.
O ato reuniu entidades como o Sindicato dos Médicos da Bahia, Associação dos Delegados da Polícia Federal, Associação dos Profissionais dos Correios, entre outras.
Um dos principais opositores do governo do Congresso Nacional, o deputado federal Antônio Imbassahy, do PSDB, participou da manifestação. "Como o governo não toma nenhuma atitude contra a corrupção, essa é a forma que o povo tem de reagir", disse.
Interior
Seis cidades do interior da Bahia tiveram protestos: Teixeira de Freitas, Eunápolis, Ilhéus e Itabuna, Vitória da Conquista e Feira de Santana. Em Feira, a segunda maior cidade baiana, a manifestação reuniu 500 pessoas, em números da Polícia Militar e da organização.
 
Segundo pesquisa Datafolha, a popularidade da presidente Dilma Rousseff parou de cair – para 13% das pessoas ouvidas, Dilma faz um governo bom ou ótimo, a mesma porcentagem mostrada no levantamento de março; enquanto para 60% a administração é ruim ou péssima, apenas dois pontos a menos do que na pesquisa anterior. Também ficaram estáveis as expectativas dos entrevistados em relação à economia. Na opinião de 78% das pessoas ouvidas a inflação deverá aumentar no próximo período; para 70% o desemprego vai crescer e para 58% a situação econômica do país deve piorar. A pesquisa foi realizada nos dias 9 e 10 de abril com 2.834 pessoas em 171 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais.