O senador Otto Alencar (PSD) tem sinalizado que votará NÃO ao impeachment da presidente Dilma no Senado. Otto não integra a Comissão dos 21 membros que decidirá provavelmente neste terça-feira, 26, a admissibilidade (ou não) do impeachment. No bloco democracia progressista – PP e PSD – estão Ana Amélia (PP-RS), José Medeiros (PSD-MT) e Gladson Cameli (PP-AC). 
 
O senador Otto só vai votar no plenário (maioria simples) na votação em que a Casa aprovará (ou não) o relatório da Comissão. Se for aprovado o relatório, a presidente se afasta por 180 dias e assume o vive Michel Temer.
 
Na fase final, sob a presidência do ministro chefe do STF, tem a votação derradeira em segundo turno (2/3) precisam aprovar a matéria para um possível afastamento definitivo da presidente. Veja, portanto, que não é um rito simples e os votos dos senadores são importantissimos, um que seja. 
 
A questão crucial para o senador Otto Alencar é que seu partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab aderiu a Temer e o então ministro das Cidades (Kassab), fiel a Dilma até 40 minutos do segundo tempo da votação na Câmara, foi ao Palácio do Planalto e entregou o cargo bandeando para a turma do SIM. Em termos de pragmatismo nunca se viu nada igual. Dilma deve ter caído o queixo. Os politicos, nem tanto, porque sabem como eles agem.
 
 
A pergunta completar que se faz é a seguinte: o senador Otto vai resistir a esse pragmatismo do PSD e seguir Dilma mesmo contrariando seu partido? 
 
É provável que sim; é provável que não. Entende-se, no mundo da politica que a depender dos acontecimentos já no admissivel governo de transição de Temer (180 dias), fala-se que Henrique Meireles, apardinhado de Kassab seria o ministro da Fazenda, e o PSD pressionará de tal forma o senador baiano que ele, em nome da governabilidade e do partido, diga SIM à sua agremiação.
Uma possível decisão dessa natureza trincaria suas relações com o governador Rui Costa?
 
É provável que não porque a política brasileira sempre andou dessa forma respeitando as peculiaridades regionais. Veja que, até pouco tempo, o PMDB era governo com Temer/Dilma e Geddel e o PMDB baiano eram  (e são) oposição a Rui/Dilma. Nada impedirá que Otto siga com Rui e votando com o provável Temer.
 
Ademais, Otto tem voo próprio e alinhou-se a banda do PT em 2006 quando foi convidado por Jaques Wagner para ser candidato a vice-governador. Wagner sabia da importância de Otto no meio (eleitorado carlista) do interior, os grotões e outros, e Otto foi um vice fidelissimo a Wagner. Depois, elegeu-se senador. Há de se dizer, portanto, que um ajudou o outro e sim sair do grupo está tudo pago, elas por elas.
 
Nos bastidores da politica, integrantes da bancada do PSD na Assembleia sinalizam em off que gostariam de ver e apoiar uma candidatura Otto a governador da Bahia. Essa, sim, é uma questão crucial, porque se isso acontecer Otto iria para o confronto com Rui, o qual deverá disputar a eleição com ACM Neto, em 2018.
 
Otto teria ânimo para se meter em tal empreitada? Na politica nunca se desprezam as oportunidades e tudo vai depender do ambiente que existirá no ano da eleição. De repente, Rui pode ficar fraco e emergir Otto; ou Rui ficar mais forte e Otto o seguir.
 
Sebastião Nery em seu clássico livro "A Nuvem" diz que os ventos é que determinam a direção das nuvens politicas. Otto neste momento (e mais adiante) está nas nuvens aguardando o soprar dos ventos.