
Jaques Wagner foi desautorizado no último dia no Planalto
Em conversas com interlocutores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu a falta de alternativas do Partido dos Trabalhadores (PT) para a disputa presidencial de 2018 após a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Para Lula, a única alternativa seria sua própria candidatura.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente reclama que o partido não o deixa "não criar quadros". O ex-ministro-chefe da Casa Civil Jaques Wagner e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, seriam as opções de Lula para uma eventual corrida presidencial.
Ainda segundo a Folha, Lula reconheceu, no entanto, que, sem cargo na Esplanada dos Ministérios, com o nome incluso em processos e investigação de desvios da Petrobras, Wagner dificilmente terá a exposição necessária para se promover para a disputa eleitoral.
Lula sugeriu que ex-ministros recém saídos do governo Dilma, como Berzoini e Miguel Rosseto, passem a integrar o comando do partido.
Vice-presidente do PT, Paulo Teixeira (SP) afirma que a proposta é "adensar" a cúpula partidária para a defesa de Dilma até o julgamento final do impeachment.
Wagner sem moral
Na derradeira manhã do governo Dilma, quando as equipes do cerimonial e segurança do Palácio do Planalto instalavam grades e detectores de metal para organizar os espaços onde militantes, jornalistas e autoridades públicas ouviriam o discurso de despedida, o ex-ministro Jaques Wagner (PT) tentou interferir e foi desautorizado pelo comando da guarda militar.
Ex-chefe do gabinete pessoal de Dilma, Wagner queria autorizar a entrada de cerca de cem mulheres para abraçar Dilma e levar flores. Segundo um funcionário da Presidência responsável pelo contato com movimentos sociais, Wagner ouviu do novo comandante a seguinte frase: "O senhor já não é mais ministro". De fato, ele havia sido exonerado na véspera pela presidente.
