O governo praticamente ignorou a fila de espera do Nordeste para o programa, incluindo apenas 0,23% novas famílias da região.

Região onde o presidente Jair Bolsonaro segue com dificuldades de angariar apoiadores, o Nordeste parece seguir sendo preterido pelo governo em termos de políticas públicas. O novo contingente de nordestinos incluído no Bolsa Família em 2020 tem menos de 1% da “fila de espera”.

Segundo dados obtidos pela jornalista Renata Mariz, do jornal O Globo, os novos beneficiários envolvem 9,49% das famílias da região Sul registradas no Cadastro Único do Governo Federal (porta de entrada pro programa) e apenas 0,23% das famílias do Nordeste.

A baixa adesão de famílias no Nordeste chamou a atenção de prefeitos da região e fez o senador Renan Calheiros (MDB-AL) solicitar um levantamento que expôs a disparidade com o Sul do país. A região é uma forte base de apoio do ex-capitão e origem do ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra – responsável até fevereiro pelo programa.

“É o avesso do Robin Hood, tirando dos mais pobres para mandar para os mais ricos. O único vetor que pode explicar isso é uma razão extremamente política. O Congresso precisar cobrar do governo, do ministro que lá estava, explicações. O Bolsa Família é uma programas mais engenhosos e reconhecidos que temos, não pode ser usado dessa forma”, criticou Calheiros.

Enquanto isso, o cartão corporativo do presidente Bolsonaro, aquele que em campanha ele disse que ia acabar, registra gastos recordes. Dados do Portal da Transparência indicam que a Secretaria de Administração da Presidência gastou R$ 4.649.787,28 (quatro bilhões, seiscentos e quarenta e nove milhões, setecentos e oitenta e sete reais e vinte e oito centavos) desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro. Trata-se da maior despesa para o período, desde 2014.