Visita de ACM Neto a comunidade de Salvador reacende debate sobre segurança pública e expõe realidade que também atinge municípios do interior baiano.

A visita do pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, à Travessa Ubatã, no bairro de Narandiba, em Salvador, trouxe novamente à tona uma das faces mais preocupantes da crise da segurança pública no estado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-prefeito percorreu ruas praticamente desertas, entrou em imóveis abandonados e mostrou marcas de tiros, portas perfuradas por disparos e objetos deixados para trás por moradores que, segundo relatos, foram obrigados a abandonar suas casas após o avanço de uma facção criminosa na localidade.

As imagens revelam um cenário de degradação e medo. Casas vazias, ruas silenciosas e pichações associadas ao grupo criminoso que passou a exercer controle sobre a área ilustram uma realidade que, infelizmente, já não se limita a um único bairro da capital baiana. Relatos de expulsão de famílias por organizações criminosas têm se tornado cada vez mais frequentes em diferentes regiões de Salvador e também em cidades do interior, onde a presença do Estado muitas vezes é ainda mais limitada e os recursos destinados ao policiamento são insuficientes para enfrentar a expansão do crime organizado.

Durante a visita, ACM Neto afirmou que dezenas de famílias perderam suas moradias e foram obrigadas a fugir para preservar a própria vida. Segundo ele, a maioria das vítimas pertence a camadas mais pobres da população e não possui condições financeiras para recomeçar em outro local. O ex-prefeito também criticou a condução da política de segurança pública pelo governo estadual e afirmou que o avanço das facções demonstra o enfraquecimento da presença estatal em áreas vulneráveis.

Embora o episódio tenha ganhado repercussão política por envolver um dos principais nomes da oposição baiana, a situação exposta em Narandiba evidencia um problema que ultrapassa disputas eleitorais. O crescimento das organizações criminosas, a disputa por territórios e o controle exercido sobre comunidades inteiras vêm alterando a rotina de milhares de famílias. Em algumas localidades, moradores convivem com toques de recolher, ameaças constantes e restrições à própria liberdade de circulação.

O fenômeno também preocupa municípios do interior da Bahia. Cidades de pequeno e médio porte, que historicamente registravam baixos índices de violência, passaram a enfrentar conflitos relacionados ao tráfico de drogas, aumento de homicídios e fortalecimento de facções que expandem suas atividades para além dos grandes centros urbanos. Em muitas dessas localidades, a estrutura policial enfrenta limitações operacionais e dificuldades para responder com a rapidez exigida pela gravidade do problema.

Especialistas em segurança pública alertam que o enfrentamento ao crime organizado exige ações integradas entre inteligência policial, fortalecimento das forças de segurança, investimentos em prevenção social e presença permanente do Estado nas comunidades mais vulneráveis. Sem medidas efetivas e contínuas, o risco é que novas áreas passem a reproduzir cenas semelhantes às registradas em Narandiba, onde famílias inteiras foram obrigadas a abandonar suas histórias, seus bens e seus lares por causa da violência.

Enquanto o debate político se intensifica em torno do tema, permanece o desafio de garantir à população aquilo que deveria ser um direito básico de qualquer cidadão, viver em segurança dentro da própria casa. As imagens da Travessa Ubatã servem como um alerta para a dimensão do problema e para a urgência de respostas capazes de devolver tranquilidade às comunidades afetadas pela expansão do crime organizado.