Sistema Integrado de Abastecimento vai beneficiar sete municípios, mas especialistas apontam necessidade urgente de barragens auxiliares e reforço na segurança hídrica da região
A escassez de água sempre foi uma das maiores angústias do povo do sudoeste da Bahia. Mas agora, um novo capítulo começa a ser escrito com a entrega do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA) Anagé, que promete levar água potável a milhares de famílias de uma das regiões mais castigadas pela seca no estado. O investimento de R$ 99,5 milhões, com recursos próprios da Embasa, representa um alívio imediato para cerca de 40 mil moradores dos municípios de Anagé, Caraíbas, Maetinga e Presidente Jânio Quadros, além de comunidades rurais vizinhas.
Com uma rede adutora de 75,8 quilômetros, a água tratada será transportada a partir da nova captação na Barragem de Anagé, que possui vazão de 126,5 litros por segundo, garantindo o abastecimento por meio de uma moderna estação de tratamento com capacidade de 130 litros por segundo. O sistema ainda conta com cinco estações elevatórias, uma estação de tratamento de lodo e um grande reservatório com capacidade para até um milhão de litros. Para o diretor de Empreendimentos da Embasa, Christiano Bressy, a obra é um marco. “É uma resposta concreta à crise hídrica que afeta os mananciais da região. Representa um avanço significativo na qualidade de vida da população e no desenvolvimento social”, declarou.
A Embasa já trabalha na segunda fase do projeto, que prevê a interligação com a Barragem do Champrão, ampliando o sistema para atender também os municípios de Condeúba, Cordeiros e Piripá. O objetivo é formar um eixo de abastecimento regional, capaz de garantir água potável a uma população ainda mais ampla.
Apesar da relevância e dos impactos positivos imediatos do projeto, especialistas e lideranças regionais alertam: o sistema precisa de reforços estruturais. Sem a construção de barragens auxiliares e uma gestão integrada dos recursos hídricos, o risco de colapso no abastecimento em casos de secas prolongadas continua sendo uma ameaça real. A dependência de um único manancial, a Barragem de Anagé, pode se tornar um ponto vulnerável, especialmente diante dos efeitos cada vez mais imprevisíveis das mudanças climáticas. A região já vivenciou longos períodos de estiagem que afetaram drasticamente a oferta de água em reservatórios.
Nesse sentido, é fundamental que os investimentos em infraestrutura hídrica não parem na adutora principal. É preciso construir barragens complementares, desenvolver sistemas de captação alternativos e fomentar políticas públicas de conservação de água, irrigação racional e educação ambiental. O novo Sistema Integrado de Abastecimento é, sem dúvida, uma conquista histórica para essa região do sudoeste baiano. Da mesma forma a adutora do Zabumbão, depende para segurança hídrica de longo prazo, de planejamento contínuo, investimentos em fontes complementares e da articulação entre Estado, municípios e comunidades locais. A água chegou, mas é preciso garantir que ela permaneça.
