O advogado e jornalista Dr. Lucas Iago Neves Silva Lima, assessor jurídico do jornal foi agredido física e verbalmente por defender o meio ambiente
Durante evento oficial, após o advogado e jornalista contestar, com base em fatos, as declarações do prefeito de Érico Cardoso, que tentava desacreditar publicamente denúncias ambientais veiculadas, o assessor jurídico do jornal O Eco foi agredido física e verbalmente por servidor da Prefeitura de Érico Cardoso. Episódio é mais um capítulo de intimidação contra a imprensa livre na região.
Há quase três décadas, o Jornal O Eco mantém atuação ininterrupta e reconhecida no Vale do Paramirim e em toda a região circunvizinha. Com prestígio, credibilidade e compromisso inabalável com a verdade, construiu um histórico sólido de serviço à população, destacando-se na defesa do interesse coletivo e na proteção do meio ambiente. Ao longo de sua trajetória, não hesitou em registrar e denunciar crimes ambientais, abusos de poder e práticas lesivas à coletividade, mesmo enfrentando retaliações, ameaças e pressões de quem se beneficia das ilegalidades. Nunca se curvou, sempre manteve firme sua missão de fiscalizar, informar e provocar o debate público.
Seguindo essa tradição de jornalismo combativo, em 11 de agosto de 2025, O Eco publicou reportagem de grande repercussão denunciando a grave crise hídrica que ameaça milhares de pessoas no Vale do Paramirim. A matéria revelou que, embora a região concentre as principais nascentes que abastecem a Barragem do Zabumbão, vital para diversos municípios, Érico Cardoso segue permitindo ou ignorando a poluição dos rios, a ação predatória de garimpos e pedreiras e o despejo de esgoto sem tratamento. É evidente também o impacto das pedreiras sobre o erário, com estradas, ruas e avenidas, como a passagem molhada do balneário e a orla da lagoa em Paramirim, destruídas pelo trânsito constante de caminhões com pedras gigantes, cargas acima do limite.
A denúncia foi amplamente corroborada pela população e por quem convive diariamente com os impactos da degradação ambiental. Mas, apesar da relevância e fundamentação da denúncia, a publicação também foi alvo de reações agressivas e infundadas por parte de figuras públicas que, embora remuneradas com recursos do erário para servir ao interesse da coletividade, não possuem nenhum histórico de atuação concreta e efetiva em prol desse interesse.

“Não é sobre pessoas, é sobre a defesa incansável do meio ambiente ao longo de toda a nossa história.“
Algumas dessas manifestações tiveram como único objetivo desviar o foco do problema ambiental e tentar enfraquecer a credibilidade do jornal. O Eco optou por não responder a tais ataques, ciente de que seu histórico de ética, transparência e responsabilidade fala por si, e já é amplamente reconhecido e respaldado pelo público que há décadas acompanha e confia em seu trabalho.
Porém, o que começou como críticas infundadas evoluiu para um ato inaceitável e de extrema gravidade. Na manhã de 13 de agosto, durante evento oficial no Centro Paroquial de Paramirim, para certificação de produtores de mel, o prefeito de Érico Cardoso, também presidente do Consórcio Público da Bacia do Paramirim, abandonou a pauta e, em discurso público, passou a atacar diretamente O Eco, tentando desacreditar as denúncias ambientais, especialmente aquela sobre a crise hídrica.
No local estava o advogado e jornalista Dr. Lucas Iago Neves Silva Lima, assessor jurídico do jornal e coordenador da equipe de reportagem. Exercendo o direito constitucional à liberdade de expressão, interveio de forma breve, cordial e objetiva, esclarecendo a veracidade das informações publicadas e reafirmando o compromisso histórico do veículo com a defesa ambiental e dos recursos hídricos da região.
O que se seguiu foi um ataque frontal à liberdade de imprensa, quando, um servidor da Prefeitura de Érico Cardoso, em evidente desvio de função e em horário de expediente, passou a agredir verbalmente o jornalista e, logo depois, o atacou fisicamente, dentro do próprio evento. A Polícia Militar foi acionada, e o agressor conduzido à delegacia. Dr. Lucas realizou exame de corpo de delito, que confirmou as lesões, e registrou Boletim de Ocorrência. O caso agora aguarda o devido processamento judicial.
Esse ato representa, para além da agressão física, um atentado direto aos princípios constitucionais da liberdade de expressão, do livre exercício do jornalismo e do direito da sociedade à informação. A Constituição Federal, nos artigos 5º, IV, IX e XIV, e no artigo 220, protege de forma inequívoca a liberdade de manifestação, a livre imprensa e veda qualquer censura. O Supremo Tribunal Federal reforça que a imprensa livre é pilar da democracia e que toda tentativa de intimidação contra jornalistas deve ser repelida com rigor.
A conduta do agressor, que naquele momento atuava como segurança informal do prefeito, enquadra-se, em tese, nos crimes de lesão corporal, injúria e constrangimento ilegal, além de atrair a responsabilidade civil objetiva do município, já que se trata de servidor público em atuação irregular. O uso de funcionários pagos com recursos públicos para fins pessoais ou intimidatórios afronta diretamente os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
Todas as providências legais foram adotadas, boletim de ocorrência, laudo médico comprobatório e comunicação às entidades competentes, incluindo a OAB e representações da categoria jornalística, que já se mobilizam para acompanharem de perto os desdobramentos do caso.
Convém provocar algumas reflexões aos nossos leitores: Qual morador de Érico Cardoso, ao ser consultado, não reconhece que o Morro do Fogo vem sendo sistematicamente degradado pela exploração de garimpos e pedreiras? Quem, em sã consciência, pode afirmar que o município dispõe de um sistema eficiente de captação e tratamento de esgoto capaz de impedir que resíduos sejam lançados in natura no meio ambiente? Qual cidadão é capaz de sustentar, com honestidade, que essas denúncias não correspondem à realidade vivida? Diante de um cenário tão evidente de devastação, quem, de boa-fé, não desejaria ver as autoridades incluindo pautas efetivas e urgentes, em vez de agendas vazias e não prioritárias, para enfrentar esses problemas? E, se a situação ambiental estivesse realmente sob controle, como tentam fazer crer aqueles que contestam a matéria, por que razão o próprio município precisou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta para corrigir irregularidades na área ambiental e chegou a receber recomendação do Ministério Público para paralisar atividades mineradoras na comunidade de Paramirim das Creoulas?
O Jornal O Eco repudia, de forma veemente, essa agressão covarde e reafirma que seguirá com a mesma determinação que o guia há quase 30 anos: levar à população informação verdadeira, defender o meio ambiente, denunciar abusos e enfrentar injustiças com ética, responsabilidade e coragem. Não cederemos a ameaças. Não nos calaremos. A imprensa livre não se dobra a intimidações, ela as denuncia. Aos leitores que desejarem obter mais sobre o histórico do jornal O Eco em defesa dos recursos Hídricos e do meio ambiente, basta acessar no topo desta página (www.oecojornal.com.br) na lupa de busca, digitar Zabumbão, para terem acesso a dezenas de matérias publicadas ao longo do tempo.
