Comunidade rural vive dias de medo, dor e comoção diante da violência extrema que destruiu uma família e abalou toda a região

A pacata comunidade de Lagoa Clara, na zona rural de Macaúbas, amanheceu mergulhada em silêncio, choro e incredulidade após uma sequência de assassinatos que deixou marcas profundas na história local. O dia a dia de um lugar de convivência tranquila e relações próximas foi tomado por um sentimento coletivo de medo e consternação depois que três moradores foram brutalmente mortos dentro da própria casa, em um ataque que chocou toda a região.

Na manhã de quarta-feira 17, um jovem de 27 anos, identificado como Guilherme Vicente da Silva, invadiu a residência de familiares armado com uma foice e atacou as vítimas de forma violenta. Antes disso, segundo relatos de moradores, ele teria tentado matar o próprio tio, João Francisco Alves, em uma roça onde o homem trabalhava. Ao não conseguir consumar o primeiro ataque, seguiu até a casa da família, onde a violência se consumou de maneira devastadora.

As vítimas foram Zilda Maria da Silva, de 42 anos, conhecida pela dedicação à família e pela convivência respeitosa com os vizinhos, sua filha, uma criança de apenas 10 anos, cuja morte causou profunda comoção entre moradores e colegas e Glorena de Jesus Silva, de 85 anos, idosa respeitada e querida na comunidade. As três foram mortas com golpes de foice, em um cenário descrito como chocante para os moradores, desde os mais jovens, até os mais antigos, acostumados à rotina simples do campo.

Após os crimes, Guilherme fugiu em uma motocicleta, abandonando o veículo pouco tempo depois e entrando em uma área de mata, o que desencadeou uma grande mobilização policial envolvendo forças de segurança de Macaúbas e municípios vizinhos. As buscas intensas aumentaram a tensão na região, enquanto moradores passaram a se recolher mais cedo e redobrar cuidados, temendo novos episódios de violência.

Relatos apontam que o autor dos ataques apresentava problemas de saúde mental, a dor e a revolta predominam entre os moradores, que tentam compreender como uma violência tão extrema pôde atingir pessoas tão próximas e conhecidas. Velórios marcados por lágrimas, abraços silenciosos e orações reúnem moradores de Lagoa Clara, da sede do município e de comunidades vizinhas, evidenciando a união diante do sofrimento coletivo. Em cada conversa, o sentimento é o mesmo, a perda irreparável, o medo do que ainda pode acontecer e a esperança de que justiça seja feita. Lagoa Clara, agora, tenta reconstruir sua rotina, carregando a memória de um episódio que transformou para sempre a vida de quem vive no lugar.