Deputado estadual, médico e articulador do grupo de ACM Neto, Sanches morreu aos 58 anos vítima de infarto. Trajetória foi marcada por influência política, diálogo e forte presença institucional.
A política baiana amanheceu de luto neste sábado (17) com a morte do deputado estadual Alan Eduardo Sanches dos Santos, aos 58 anos, em Salvador. Médico ortopedista e um dos quadros mais experientes da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Sanches morreu em decorrência de um infarto fulminante em sua residência. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu, mas não resistiu. A notícia se espalhou rapidamente e provocou comoção que ultrapassou fronteiras partidárias, atingindo o meio político, institucional e a sociedade civil.
O velório do deputado estadual Alan Sanches ocorre neste sábado (17), a partir das 17h, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em Salvador, onde familiares, amigos, colegas de parlamento e autoridades prestam as últimas homenagens. No domingo (18), pela manhã, será celebrada uma missa de despedida no mesmo local. O sepultamento está previsto para a tarde, por volta das 14h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, também na capital baiana, marcando o momento final de despedida ao parlamentar. As homenagens estão sendo marcadas por emoção e reconhecimento público ao legado construído ao longo de décadas de vida pública. Em sinal de respeito, a Assembleia decretou luto oficial.
Natural de Salvador, Alan Sanches construiu sua trajetória conciliando a medicina com a política. Formado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, conquistou reconhecimento profissional antes de ingressar na vida pública. A estreia na política ocorreu na Câmara Municipal de Salvador, onde foi vereador e chegou à presidência da Casa, destacando-se pela capacidade de articulação e pelo perfil agregador. Em 2010, elegeu-se deputado estadual, iniciando uma sequência de mandatos consecutivos que o consolidou como uma das principais vozes da oposição na Assembleia.
Na ALBA, Sanches exercia a função de vice-líder da bancada de oposição. Era reconhecido pela postura firme nos debates e, ao mesmo tempo, pela habilidade no diálogo institucional. Mesmo entre adversários, havia respeito pelo trato democrático e pela convivência republicana. Sua atuação teve forte ênfase em pautas da saúde, da gestão pública e do fortalecimento dos municípios, além de manter vínculos sólidos com comunidades de Salvador e do interior da Bahia.
As manifestações de pesar vieram de diferentes campos políticos. O governador Jerônimo Rodrigues e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, lamentaram a morte do parlamentar. A presidente da Assembleia, Ivana Bastos, destacou a relevância de sua contribuição ao Legislativo baiano. Lideranças do governo e da oposição ressaltaram o respeito construído ao longo dos anos. Pelo campo oposicionista, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto declarou profunda tristeza e classificou a perda como uma dor pessoal e política.
No âmbito familiar, a despedida foi marcada por forte emoção. O vereador Duda Sanches, filho do deputado, prestou homenagem pública ao pai, lembrando os ensinamentos, o afeto e o exemplo deixados tanto na vida pessoal quanto na atuação pública. Amigos e aliados históricos também destacaram o perfil humano, o compromisso com a medicina e a dedicação à vida política.
Com a morte de Alan Sanches, a vaga na Assembleia Legislativa deverá ser ocupada pelo suplente Luciano Ribeiro, ex-prefeito de Caculé, conforme prevê o regimento da Casa. A substituição formal, no entanto, não supre o vazio político deixado por Sanches, cuja atuação extrapolava o mandato parlamentar.
A perda projeta efeitos diretos sobre o cenário eleitoral de 2026. Alan Sanches era considerado um dos principais articuladores da pré-campanha de ACM Neto ao governo da Bahia, atuando como elo entre lideranças municipais e peça-chave na estratégia de fortalecimento da oposição. Sua capilaridade política, especialmente em Salvador e na Região Metropolitana, e a experiência acumulada faziam dele um ativo estratégico do grupo oposicionista.
Sem sua presença, o União Brasil e aliados obrigatoriamente irão reorganizar quadros, redistribuir funções e reconstruir articulações que passavam diretamente por sua liderança. A ausência de um nome com sua densidade política e trânsito institucional representa um desafio adicional na construção do projeto eleitoral para 2026.
A morte de Alan Sanches encerra uma trajetória marcada pelo serviço público, pela influência política e pelo respeito institucional. Mais do que um parlamentar, ele se consolidou como referência de diálogo e dedicação à Bahia, deixando um legado que permanecerá na história da Assembleia Legislativa e na memória da política baiana.
